
PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO
A vida e suas transformações
Salvador Dalí Criança e Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo
(Grupo
dos três Cs : Cura – Criatividade - Cultura)
Metodologia destinada aos seres humanos que estejam dispostos à
investir em si mesmos para se possibilitar uma mais compreensiva e
satisfatória qualidade de vida.
Síntese do estado atual das coisas da vida:
Consideramos que no mundo contemporâneo existe um
mal
estar que nos permite afirmar que tem coisas que vão mal, outras
bem e outras mais ou menos.
Mal:
a fragmentação.
Consideramos por efeito de nossa cultura que somos
indivíduos.
Entendidos estes como seres isolados que antes de mais nada devem
preservar as condições de
sobrevivência da vida própria.
E que o mundo é algo do qual devemos nos proteger.
Os interesses particulares são entendidos como algo que entra em
contradição com os interesses dos outros.
Vistos estes como seres que procuram seus benefícios doa a quem
doer. Os objetivos na vida excluem a percepção dos efeitos dos mesmos
no sistema humano e ecológico natural nos quais estão inseridos.
O incentivo ao consumo gera uma sociedade onde o desperdício é
considerado símbolo de poder, de abundância e confundido com qualidade
de vida satisfatória.
Vemos os efeitos destas crenças que expressam fragmentação nos
projetos econômicos, tecnológicos, sexuais, científicos.
Emfim na totalidade das condições de nosso dia a dia.
Bem:
Conciência de que não dá mais.
Existem setores, grupos de seres humanos, países, conceitos
científicos, espiritualidade, projetos econômicos, culturas que
algumas se interpenetram como a atuais confluências entre pensamentos
orientais e ocidentais, que vão percebendo a
unidade de todas as coisas.
Esta
percepção holística da existência de um todo que é a própria
experiência do viver, no qual está tudo relacionado e em constante
conexão, nos permite reforçar o valor da preservação.
Marilyn Fergunson chama os portadores desta nova e emergente
consciência ecológica de “conspiradores”.
O interessante desta
conspiração
é que não é contra nada nem ninguém e sim a favor da
preservação
e desenvolvimento da vida em seus aspectos materiais e espirituais
que para nós são a mesma coisa.
Estas novas formas de pensar geram
acontecimentos concretos na vida dos seres humanos que vão desde
produzir projetos econômicos chamados
auto-sustentáveis
(crescer sem destruir o meio ambiente atual e de gerações futuras, do
qual o humano forma parte) até programas de saúde para a
qualidade de vida.
Vida das
criaturas humanas em seu trabalho, em seus relacionamentos afetivos,
sociais, sexuais e em cuidar de dar uma maior compreensão aos núcleos
das novas famílias (recasados, com filhos por fertilidade assistida ou
adotados, casais e famílias de homossexuais, etc.).
Mais ou
menos: Pela
dor inevitável ante a finitude do ser humano. Sabemos pela ciência contemporânea e nossas crenças
espirituais que
não existe a
morte como fim e sim como transformação de uma forma de expressão da
vida a outra. Esta afirmação está presente na
física
quântica e num sem número de
formas
religiosas que expressam de diferentes formas a perpetuação da
experiência do viver. “A
morte é uma ilusão”, diz Chris Griscom.
Exatamente. E não
pode deixar de ser. É um
produto da mente simbólica do homem.
No sentido espiritual mais profundo fora do aparentemente concreto,
somos eternos. Mas, como
criaturas humanas o tempo que rege é o linear, o do relógio e calendário.
Neste sentido somos finitos, embora nossos propósitos de mudança
se perpetuem além de nossas vidas.
As categorias com as que avaliamos os aconteceres da vida e suas
respectivas mudanças, portanto, conlevam esta experiência de finitude.
Será necessário
o
desenvolvimento de nossa consciência espiritual e ecológica para
aliviar esse sentimento de dor inevitável de não ver com nossos próprios
olhos nosso planeta, a Terra, mais
evoluído.
Mais ou menos por tanto em relação à nossa satisfação e
alegria por nossos esforços e realizações neste mundo humano finito.
O que entendemos por cura:
Existem, existiram e existirão diferentes, variadas, contraditórias,
parciais e excludentes
propostas
de cura para os seres humanos. Também
categorias
de diagnóstico e tipologias para classificar o
perturbado, o
doloroso, o
diferente e o
anormal. Isto foi
gerado numa atividade de intenso trabalho da ciência e da religião que
produziram diferentes práticas que na atualidade vemos como
médicas, psiquiátricas, psicológicas ou xamânicas. Temos alguns
critérios
que diferenciam estas propostas.
Algumas delas são geradas no critério de encontrar
o
porquê, as causas da
doença, da estagnação ou da dor. Estas são de grande importância
para o conhecimento do funcionamento do humano e seus destinos.
Seus resultados são mais que evidentes.
A medicina ocidental possibilitou que a idade média de vida do
povo americano (bem nutrido e acéptico) chegasse aos 76 anos.
Todas elas conlevam em
cada uma de suas propostas de cura e preservação da saúde uma forma
de entender o ser humano e o sentido do porquê e para quê viver.
Paradigmas
(como
sistemas de crenças) falamos na contemporâneidade. E nós temos os nossos.
É importante o conhecimento da ciência e as crenças religiosas
que nos falam da causalidade transpessoal divina.
Importante é pouco, diremos fundamental. Por isso estudamos e
ensinamos os conceitos da ciência psicanalítica e seus pensadores clássicos
como Sigmund Freud, Carl Yung, Jacques Lacan e Sandor Ferenczi e os
cognotivistas post-racionalistas da escola chilena de Humberto Maturana
e Francisco Varela e o italiano Vittório F. Guidano.
Mas privilegiamos uma frase do
Dr.
Edward Bach criador dos
remédios
vibracionais-subjetivos recebidos das flores e que levam seu nome:
“Não atacaremos a
enfermidade e sim desenvolveremos as virtudes que farão com que esta se
dissolva como a neve ante o sol”.
Tomaremos, então, em conta a
causalidade,
o porquê da doença, mas prestaremos especial atenção ao
desenvolvimento
da potência e das virtudes emocionais físicas, espirituais e
intelectuais dos seres humanos.
Este critério de desenvolvimento das potencialidades nos levam a
incluir em nosso método de trabalho em psicoterapia os remédios
florais do Dr. Edward Bach e de alguns de seus seguidores.
Os métodos de sensibilização ecológica, de desenvolvimento da
criatividade e espiritualidade de Edgardo Musso e o desenvolvimento da
Inteligência Emocional de Daniel Goleman.
Entenderemos como proposta de cura e objetivo terapêutico
fundamental aumentar a satisfação de estarem vivos dos seres humanos.
Respeitando a lei científica, espiritual e ética básica da Unidade de
Todas as Coisas
que
como falei em algum outro lugar amplia o dito cristão de
“amarás ao outro como a ti mesmo” pelo entendimento de que
amarás ao outro que é você mesmo.
Neste sentido
nos
afastaremos da noção de pecado e ficaremos mais perto das idéias ecológicas
femininas em relação a preservação da criatividade, a intuição, a
não violência e ao cuidado e perpetuação da vida.
Quando falamos de satisfação estamos nos referindo a experiência
do amar no sentido amplo.
Isto significa a intimidade
transcendente consigo mesmo e com os projetos e missões de nossa
vida como também o reconhecimento das diferenças com os outros nas
relações e acoplamentos sem esforço no convívio.
Este amor é um acontecer relacional natural biológico, no
sentido de Humberto Maturana, que passa a ser uma condição do viver.
Nos adoecemos ou morremos
ante a falta da presença em nossas vidas dessa experiência amorosa que
é condição fundante de nossa espécie.
A
Criatividade
A criatividade e o vivo:
concordamos
com Bárbara Brenan que
o
potencial criativo encontra suas bases na força do espiritual.
Desde nossa perspectiva da espiritualidade este acordo significará
entender que
criatividade está nas raízes profundas de todo o vivo.
Não existe vida em nenhuma de suas manifestações naturais,
sejam bactérias, vegetais, animais ou seres humanos, que não conte com
a criatividade para poder continuar nas
condições
da vida que sempre se apresenta num movimento de mudança.
A criatividade, então, é uma manifestação geral do viver e
possibilita o estar vivo.
Não existe vida sem
criatividade. Se
expressa na totalidade das condições da vida cotidiana dos seres
humanos em como comemos, na sexualidade, trabalhamos, dormimos, na
utilização do tempo livre e em como adequamos nossas economias com
nossas vontades de consumo.
Esta foi considerada, durante muito tempo, como uma qualidade
especial da produção de artistas e cientistas, atividades que se
safavam das necessidades da sociedade industrial de controlar e prever
os acontecimentos gerados pelos comportamentos humanos.
A sociedade industrial
com sua preocupação fundamental de gerar um capital considerado como
instrumento de produção e acesso ao poder político, necessário para
garantir a não interferência em seus propósitos e metas,
enxergou
a criatividade como um perigo a ser evitado.
O modelo de homem era o modelo da máquina, podíamos confiar
nelas pois não produziriam
desvios no esperável. Tudo o que gerasse
possibilidade de desvio teria que ser evitado.
Com isto afastou-se a
percepção do criativo até tal ponto que neste momento quando
trabalho com organizações a preocupação fundamental é que o
trabalho de estimulação da criatividade produza resultados concretos
na atividade produtiva das empresas.
Isto é impossível de deixar de ser.
Passando a ser um problema
de percepção de onde se manifesta e não um problema de eficácia
técnica específica.
Os métodos de estimulação da criatividade e o tema da
percepção:
em relação ao tema dos critérios de avaliação das diferentes
metodologias ou técnicas de estimulação e desenvolvimento da
criatividade consideraremos que se deve compreender que
os seres humanos não formam um todo homogêneo.
Considerar-nos como
espécie
humana é uma estrutura classificatória, um esquema para
diferenciar o vivo, mas é fundamental perceber a
diversidade
dos seres.
Os métodos não trabalham sobre a classificação e sim sobre os
seres. As diferentes
metodologias trabalham algumas previlegiando o lúdico, outras
interessadas pela velocidade das decisões intelectuais, outras as
atividades de expressão artística, outras desde uma perspectiva ecológica,
outras previlegiando o trabalho em equipe ou o indivíduo e assim por
diante. O correto seria não
entender os seres humanos como simplesmente classe ou espécie
independentemente de suas caraterísticas particulares individuais e
preferências.
As metodologias e técnicas poderão ser diversas, mas unidas nos
critérios do entendimento do que significa a produção individual e
coletiva, dos valores presentes nesta produção, do que são os seres
humanos, do que são as organizações e quais são suas missões.
Dentro disso onde está a criatividade do humano, para quê serve e
porquê desenvolvê-la.
Com o acesso à pós-modernidade e aos paradigmas emergentes de
necessidade de intuir e de criar para poder participar de um mundo e
mercado que gira em torno do convívio com as diferenças, veloz, super
informado e globalizado criaram-se um
sem número de estratégias e técnicas ditas estimuladoras do
potencial de intuir e criar dos seres humanos.
Com certa
perplexidade e algumas vezes
preocupação
vi incluir em workshops, nos quais se trabalha com
técnicas de alto impacto emocional, pessoas que trabalham em
organizações. Seres
humanos se abraçando, chorando, rindo, se sexualizando ou agressivas,
batendo em almofadas e colchões, entendendo
que dessa forma, tomando contato com suas emoções mais profundas e
libertando a energia presa dos nós bloqueadores, estariam mais perto de
sua potência criativa. Nada disso.
Estes estados emocionais profundos despertados pela aplicação de
recursos técnicos que chamo de alto impacto não tem espaço para serem
mantidos no dia a dia do trabalho das organizações nem sequer no convívio
habitual social com os outros seres humanos.
Que a sociedade industrial tentou abafar a criatividade pelo
medo
ao não previsível, ao
erro
e a
desestruturação
das hierarquias de poder e que também as
emoções
e energia dos seres humanos trilharam um caminho semelhante (porque
o ideal de funcionamento da sociedade industrial foi a máquina que
sempre faz o mesmo sem sofrer nem gozar),
não
quer dizer que aprofundando nas emoções e energia aprisionada se
liberará o potencial criativo.
Nada tem a ver a carne com o tecido com o qual a cubrimos embora
ante a percepção dos outros na sociedade civilizada possamos pensar
que formam parte da mesma coisa.
Me lembro de
Henrique Pichón
Rivière me dizendo (como mestre – terapeuta e amigo): “Edgardo,
quando queiras colaborar em curar alguma coisa, lembra-te da
teoria
do furúnculo. Ao ver
um, não o esprema à seco, primeiro amoleça-o com compressas mornas (intervenções
aparentemente superficiais, que serão as mais profundas) e depois, já
amolecido, é só correr a pele para trás que o pus sairá com pouco
sangue e dor” ( se referindo às intervenções altamente
mobilizadoras que, em seu afã de quebrar, reforçam a atividade dos
mecanismos de repressão).
Costumo dizer que quando queremos tomar contato com o
criativo devemos utilizar certos modelos do
funcionamento
da natureza. Se
queremos comer banana não adianta saculejar a bananeira. Devemos provê-la
de nutrientes, cuidar de seu desenvolvimento.
Esperar quando esteja amarela, com pintas pretas e o conseguimos
perceber (o que é fundamental), simplesmente descascá-la e colocá-la
na boca. Com isto quero
dizer que
o fundamental trabalho
a ser feito com a criatividade é o de preservá-la, desenvolvê-la
desarticulando os empecilhos (ervas daninhas) e conseguir percebê-la
nos acontecimentos da vida como no trabalho e tudo o mais.
Por mais medo que as culturas anteriores tenham tido da
criatividade e intuição e de incluí-las na tomada de decisões de
forma consciente e por mais estratégias que tenham articulado para detê-las
estão presentes em tudo e uma prova disso é a constatação de que
estamos vivos.
Um dos
nossos principais propósitos ao
redor do tema da criatividade com indivíduos, grupos ou organizações
é possibilitar percebê-la presente no dia a dia.
Isto dará condições para poder preservá-la e estimulá-la em
nós mesmos e nos trabalhadores de qualquer escalão hierárquico das
organizações de nossa sociedade.
Isto sim é possível e acreditamos que é altamente benefícios
para o funcionamento do humano em seu conjunto.
Mas tudo isto
com calma,
por favor, porque de outra forma não será possível.
O estresse gerado nas demandas de uma cultura que privilegia a
velocidade a qualquer custo é um dos empecilhos mais importantes para
o encontro com o ato criativo.
“A pressa é inimiga da perfeição”, diz um ditado popular
esclarecedor para este momento de mudança de paradigmas nas organizações.
Posso dizer, com uma experiência de mas de 20 anos trabalhando
com este tema e tomando em conta a relação
custo-benefício,
lei básica de qualquer decisão numa economia de mercado, que
os
erros, os desvios de propósito, as horas perdidas por doenças,
acidentes e desinteresse no trabalho produzem um custo infinitamente
maior do que grupos humanos trabalhando com
responsabilidade individual em função de interesses coletivos,
com tempo humano para a realização das tarefas e incentivados nas suas
necessidades e desejos de imaginar, intuir e criar.
Sistemas afastados do equilíbrio:
as estruturas dissipativas e a criatividade.
Agora bem, na realidade, vivemos num mundo humano em constante
mudança. E isto quer dizer
que não existe dia igual ao outro.
Se aguçamos nossa percepção será possível ver que por mais
constantes que
pareçam ser os aconteceres do dia a dia, as nuanças externas e
internas dos sistemas vivos sempre apresentam variações que levam o
sistema a manter um maior ou menor desequilíbrio.
Os sistemas vivos estão afastados da estabilidade absoluta sejam estes
seres humanos ou qualquer outro.
Na vida dos seres humanos a criatividade está presente nessa
necessidade constante de produzir comportamentos adequados entre nós e
nossas variações.
Quando
essas variações próprias de nossa condição de instabilidade nos
apresentam situações de crises de percurso, o desequilíbrio atinge
pontos críticos (chamados assim por Prigogine).
Nestes pontos críticos de bifurcação do caminho para onde
vamos aparece o acionar das estruturas
dissipativas.
Estas
atuam auto-organizando o sistema possibilitando evitar a decomposição
e o caos e criativamente
nos permitem continuar na vida com novas formas de complexidade
crescente. Como é o
caso de uma mediana empresa
que ante uma
maior demanda do mercado
à seus produtos, decide se encontrar com maiores recursos de
capital, transformando-se em sociedade anônima e colocando títulos no
mercado financeiro sem perder sua historia, identidade e objetivos.
No humano encontramos a potência do criativo atuando para
preservar
as identidades dos sistemas. E
também para gerar mudanças
ante uma necessidade de encontrar novas formas de complexidade
adaptativa devido às interferências de seu meio interno ou externo.
Estamos falando de crises, de mudanças e criatividade dos
sistemas vivos sejam eles pessoas, grupos familiares, casais ou empresas.
Concordo, por considerá-los úteis, com certos conceitos gerados
na linha de trabalho inspirada por
Maturana
e Varela (teoria da autopoiese).
Com
Guidano, pela inclusão do conceito de vínculo e afeto na análise do
comportamento do vivo e com o especialista na imprevisibilidade, Ilya
Prigogine.
O vivo, em qualquer de suas formas de se organizar, são sistemas,
insisto, afastados do equilíbrio.
A tentativa de certezas tranquilizadoras
ante mudanças criativas na vida à caminho de maiores níveis de
complexidade é algo impossível.
A quantidade de ruídos
(interferências imponderáveis) que podem afetar o rumo de uma organização
em mudança crítica e os acoplamentos estruturais possíveis, que
devem ser realizados entre essa organização e seu meio quando esse
meio é a complexidade do humano, só nos permitirão pensar em
possibilidades de estar ou de
chegar à algum lugar como afirma a física quântica nos outros domínios
da matéria subatômica.
Portanto é ingênua qualquer forma de psicoterapia nos seres humanos ou de
reingenharia nas empresas que pretenda levar seus tratados a posições
certas.
No que tem a ver com o tema da mudança e para onde nos dirigimos
só poderemos falar em termos de mais ou menos.
Existe a determinação, a causalidade estrutural dos históricos
de relação de um ser humano ou instituição. Isto nos permite pensar
nas identidades construídas ao longo da vida. Mas, se pensamos no tema
das mudanças dirigidas à um objetivo, os imponderáveis o transformam
em impredizível em maior
ou menor grau.
O que fazer?
Se perguntou Lenin na época antiga dos começos do
industrialismo. Respondemos
na contemporaneidade. Lembram da intuição? Aquela palavra vista com
desconfiança. Essas são
coisas de mulheres e bruxas, a cultura positivista dizia.
Pois bem.
É a velha e imortal intuição humana que será necessário resgatar
para que acompanhada de uma responsável racionalidade nos dê pistas de
predição ante a necessidade de tomar decisões que afetem o rumo.
Cultura
Para falar sobre este tema que está presente no nosso método de
trabalho terapêutico dos três Cs (cura, criatividade e cultura) será
necessário fazer alguns esclarecimentos.
O primeiro e talvez fundamental é esclarecer que
por
cultura não estamos entendendo acúmulos de conhecimentos, informações
nem erudições sobre nenhum saber específico.
Para isso inventamos os computadores com memórias adaptadas ao
acúmulo com mais eficiência que as nossas.
Quando falamos de cultura estamos falando, sim, de conhecimentos,
de crenças e de valores que são guia para a ação dos mais diferentes
intercâmbios entre os seres humanos de uma sociedade.
Estes estão presentes nos
temas das conversações coletivas, por intermédio de jornais, televisão,
filmes, etc.
Neste momento contemporâneo, essas crenças, valores, percepções,
conhecimentos que
induzem à determinadas ações no econômico, no sexual, no político,
estético, na moda, em que objetos serão produzidos e como, de que
forma conviveremos com os outros seres humanos, que significam os homens,
as mulheres, as crianças e os velhos estão passando por uma profunda
transformação que chamamos “mudança
de paradigmas”.
A cultura a ser desenvolvida em nossos grupos de formação para
o terceiro milênio terá
como finalidade apontar este processo de mudança que entendemos que vai
desde a visão da fragmentação à visão holística e ecológica do
seres humanos e do vivo.
Isto significa que entendemos os seres humanos inseridos num
sistema do qual forma parte e é constituinte, que é a rede ou teia de
todo o vivo.
Em relação à divulgação política destes conceitos, idéias
e valores com alegria recebemos o livro de F. Capra, último, publicado
nos Estados Unidos no mesmo ano da colocação de nosso site na
Internet.
Nesta teia está presente as diferentes formas de expressão do
natural como as plantas, os mares, o vento, o ar, os rios, os insetos,
as aves, os peixes, os animais, os seres humanos e tudo o que por eles
é produzido como artes, ciências, economias, políticas, modas, religiões
e tecnologias variadas como a internet .
A consciência da Unidade de Todas as Coisas significará a
percepção disto.
E nossa formação cultural terá como finalidade alicerçar esse
processo de mudanças de paradigmas.
Quando falamos de
formação
cultural estamos nos referindo a uma
experiência
individual, grupal e coletiva que será intelectual, emocional e de
comportamentos de nós como “conspiradores” contra nada nem contra
ninguém e sim a favor da vida em todas as suas formas de expressão.
Essa formação consistirá:
-
Na leitura de
textos pioneiros nestes conhecimentos, valores e crenças;
-
Desenvolvimento da espiritualidade;
-
Seminários de sensibilização ecológica;
-
Desenvolvimento da criatividade e intuição;
-
Conversações coordenadas;
-
Filmes comentados;
-
Contato com as tradições espirituais e artísticas.
O esperável é
que estas atividades nos sensibilizem na percepção dos novos valores
de integração, síntese,
parceria, qualidade de vida, preservação, conexão,
auto-sustentabilidade e conservação.
Isto nos possibilitará conviver na
harmonia
dos opostos com a competição,
o racional, o reducionista, o linear, o finito, particular, a dominação,
a expansão, o individual, valores que estão presentes no atual
estado dos intercâmbios humanos.
Será necessário destacar quatro aspectos fundamentais destes
novos paradigmas: o holístico,
a ecologia profunda, o eco-feminismo e a espiritualidade intimamente
vinculados. Aos que me
referirei sinteticamente.
Holismo:
O
pensar holístico se refere a possibilidade de ver as relações entre
os componentes e o todo. Como
por exemplo, ao tomar uma decisão de escolher um determinado espaço
para moradia, ver o que significa isto nas condições de nossa vida
cotidiana, em nosso dia a dia. As
distâncias em relação ao nosso traballo, ao colégio das crianças,
aos lugares possíveis de realizar as compras para nossas necessidades
cotidianas. O bairro em
relação à cidade a que pertence e sua densidade demográfica,
possibilidade de deslocamentos, os lugares públicos a que habitualmente
deveremos recorrer como correios, praças, hospitais, etc.
Ecologia
Profunda:
Esta nos permite sair da
divisão ser humano-meio ambiente e entender que todo o vivo forma parte
da mesma rede. Que ecológico não significa só ambiente natural
como florestas rios, ar, mar, insetos, aves, animais, vento e sim também
seres humanos e tudo o que por eles é produzido como estradas, edifícios,
arte, cultura, ciência, moda ou tecnologias.
Pensar nos termos da ecologia profunda nos permite entender que
os cuidados com a preservação não devem estar dirigidos só aos
recursos chamados naturais mas também aos seres humanos. Quando
pensamos em poluição devemos acender a luz vermelha ante a deterioração
de nossa camada de ozônio e a de nossa mente humana.
Pensar em
qualidade de vida com critérios de ecologia profunda é pensar como
estamos vinculados em nossso dia a dia com o chamado meio ambiente
natural e com os usos, costumes, valores, trabalho e espiritualidade dos
seres humanos com os quais convivemos: vizinhos, família, colegas,
amigos e companheiros inteletuais, políticos, religiosos, filosóficos,
etc.
Espiritualidade: A
espiritualidade contemporânea se fundamenta em rede.
Existem valores e princípios que unem as mais diferentes religiões e
isso é o que me interessa . O especificamente religioso e suas
dotrinas é uma forma particular de expressão dos diversos povos e
grupos humanos, sua espiritualidade essencial.
Portanto,
na visão contemporânea do religioso e espiritual se entenderá como
possível que as crenças humanas (em relação à estes temas) poderão
nutrir-se dos mas diferentes sistemas ou doutrinas, aderindo ao
chamado
sincretismo espiritual.
Neste olimpo pós-moderno encontraremos em convívio o candomblé,
cristãos em suas mais diferentes formas, maometanos, judeus, budistas,
etc., unindo nossos interesses na produção de um mundo humano divino
mais harmonioso.
Eco-feminismo:
Agora
bem, no sentido espiritual nossa devocao esta dirigida a uma fêmea e
seu nome é Gaia, nossa mãe, o
nosso planeta a Terra da qual formamos parte.
Portanto, o divino passará
pelo interior dos seres humanos nos quais expressará sua potência e
criatividade e isto no dia a dia. Em como comemos, dormimos,
trabalhamos, em como e o que consumimos, em nossa vida sexual,
produtiva, cultural, religiosa e na forma em que nos viculamos com os
outros seres humanos.
Neste
sentido espiritual ecofeminista o divino estará presente na totalidade
das condições de nossa vida cotidiana na qual previlegiaremos as
formas redondas, circulares, o que nutre,o que cuida, o que preserva, a
intuição e criatividade e as formas não violentas de produção e
política.
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Criatividade Entre em contato com a gente pelo e-mail cdic@cdic.com.br |