PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

Criatividade: Agência Estado de São Paulo

 

1) No cérebro, como ocorre o processo de criação? 

 

R : Não conheço nenhuma pesquisa da neurociência que explique como ocorre o processo de criação no cérebro.


2) Muitas pessoas costumam relacionar criatividade com  inteligência.  Até que ponto estas duas características estão atreladas? Ou seja, uma pessoa com uma inteligência mediana pode ser excessivamente criativa? 

 

R : Nos seres humanos as diferentes inteligências, tradicionalmente chamadas intelectuais, abstratas ou a recentemente conceitualizada por Daniel Goleman, inteligência emocional estão atreladas, como você diz, à capacidade criativa das pessoas. Agora, tanto a inteligência medida na forma de coeficiente de Q.I. como a emocional, na realidade, são impossíveis de medir ou avaliar independente da situação concreta de vida na que e o ser humano se encontra. A mesma coisa acontece com suas capacidades criativas que depende em muito das diferentes situações humanas nas que tais capacidades sejam solicitadas.


3) Como podemos definir a criação?

 

R : A criação, pelo resultado, como por exemplo, Einstein com sua teoria da relatividade abstraída da matemática, serviu para produzir energia e facilitar a produção e a guerra, ou uma dona de casa que consegue manter alimentada a sua família com uma renda familiar comprimida pela recessão. Agora, a criatividade ou processo criativo, defino como a capacidade dos seres vivos de gerar comportamentos mantenedores da preservação da vida e/ou da identidade ante um mundo interno e externo sempre em  mudanças e onde a imprevisibilidade está sempre presente.


4) O Sr. Concorda que o ser humano tem potencial criativo segmentado?  Isto é, ele pode ser criativo em determinado setor e em outro não, ou o Sr. acha que quem é criativo o é de toda forma? 

 

R : A criatividade nos seres humanos sempre deve ser entendida como processo que se dá em um segmento da vida. O trabalho, a utilização do tempo livre, a resolução de crises, a sexualidade, etc. O que é necessário, no meu caso como psicoterapeuta, é identificar os empecilhos nos diferentes segmentos para facilitar sua dissolução. Existem pessoas altamente criativas, por exemplo, na utilização de seus recursos econômicos e com profundas dificuldades em sua sexualidade e acesso a fontes de prazer.


5) Como o especialista avalia o potencial criativo do paciente? Quais são os métodos e procedimentos?

 

R : Em minha especialidade a psicoterapia, por intermédio da investigação clinica que é nosso método de avaliação e procedimento fundamental.


6) Existe algum estudo que aponta quem é mais criativo, o homem ou a mulher?

 

R : Posso dizer, como especialista em clínica psicoterapêutica com mais de 25 anos, outro tanto de vida acadêmica e supervisor de outros especialistas da subjetividade em pessoas, grupos familiares e organizações como empresas, escolas e hospitais, que as mulheres em geral tem mais facilidade de acesso à seu potencial criativo e intuitivo que os homens. As mulheres são mais solicitadas, desde cedo, a tomarem contato com as mudanças dos meios internos e externos. Desde mudanças hormonais presentes em seus ciclos menstruais continuando com a possibilidade de gerar outros seres no interior de seus próprios corpos, até dar conta das demandas diferentes que a cultura em transformação faz de sua  capacidade produtiva.

 

7) É verdade que as crianças são mais criativas que os adultos? 

 

R : As crianças são mais criativas por obra das circunstâncias de sua vida.  Estas as colocam na necessidade de passar do mundo dos bichos ao mundo da civilização, do humano, e estas devem dar conta criativamente desse recado. Isto é mais importante que a visão romântica da criança livre e espontânea.


8) É possível aprender a ser criativo? Existem técnicas específicas para o desenvolvimento da criatividade?  Quais? 

 

R : Não é possível aprender a ser criativo. Existem, sim, técnicas para o desenvolvimento da criatividade. Agora bem, cuidado com isto.  A sociedade industrial moderna preocupada com que as atividades humanas vinculadas à produtividade dessem certo e utilizando como modelo a máquina (que em condições normais é previsível, mas também não imagina, intue e cria) afastou os seres humanos de sua capacidade de intuir e criar por medo ao erro e a desestruturação das estruturas de poder piramidais. Nos últimos anos, se percebe a necessidades de recuperar naqueles que trabalham essas capacidades. Foi inventado um extraordinário arcabouço técnico para estimular estas qualidades do humano abafadas pela cultura que privilegia o certo, o esperável e o cumprimento exato de seus objetivos e metas. Algumas privilegiando a recuperação do lúdico, outras desenvolvendo a rapidez  na tomada de decisões ou soltando as emoções, etc.  Com que resultados?  Observei seres humanos se abraçando, chorando, sexualizados, etc., mobilizados por técnicas que chamo de alto impacto emocional.  Isto não tem acolhimento no clima organizacional necessário para produzir. Entendo, que toda técnica que tenha como objetivo desenvolver a criatividade deve ocupar-se primeiro em ajudar a percebê-la no dia a dia das pessoas que trabalham e onde estão os obstáculos e como demovê-los.  Privilegio, então, aquelas técnicas que ajudam a perceber os atos criativos que já existem, no esclarecimento dos empecilhos e em como superá-los.


9) Em caso afirmativo, quanto tempo costuma demorar este processo? 

 

R : A demora depende das necessidades a serem resolvidas e são diferentes em cada individuo, casal, grupo familiar ou organização.

 

10) Só para ilustrar o texto, o Sr. sabe dizer de quanto eram os QIs de grandes gênios como Einstein, Michelângelo, etc.? 

 

R : Não posso colaborar porque não conheço.


Edgardo Musso

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