
PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO
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Este trabalho foi apresentado no IIº E.S.A.R.H. - Encontro Sul Americano de Recursos Humanos - e VIº ENAP - Encontro Nacional de Administradores e Psicólogos - em outubro de 1989. Platéia formada por especialistas nos Recursos Humanos e empresários brasileiros. A finalidade desta colocação foi abrir um espaço ideológico para nossas propostas de intervenção sobre a produção de subjetividade que emerge das formas de como se trabalha nas organizações. Entendemos, que as modalidades de produção configuram um objetivo clínico para intervir com programas que visam à prevenção da ''saúde psíquica'' de quem trabalha. As condições de trabalho determinam coletivamente a produção de subjetividade nos indivíduos produtores. Estes em seu ato produtivo realizam uma captação subjetiva das culturas e paradigmas presentes nas organizações que expressam a forma de entender o que significa o trabalho, o que é um trabalhador, e porque e para que se produz; que sempre é algo a mais do que receber o infra estrutural econômico (dinheiro em troca da energia aplicada). Outubro/91 Intuição e criatividade
1 - Contexto da intuição e criatividade.Algumas considerações a respeito do momento histórico que penetra a cultura de maneira geral e as organizações em específico.É necessário pensar a história, as formações sociais e suas instituições, assim como as manifestações do psiquismo em suas expressões coletivas e individuais, como processo. Neste final de século, este processo, que nunca é uniforme e compacto, apresenta diferenças com décadas anteriores, fortemente influenciadas pelo industrialismo. Uma das diferenças fundamentais é o aparecimento de um novo humanismo. Na modernidade o homem volta a ser observado, estudado, questionado, tomado em conta como algo mais que um simples elemento de uma montagem de produção programado previamente. A automatização dos meios de produção, os avanços na tecnologia e as mudanças políticas, tanto dos países do Leste quanto do Oeste, fazem com que certas qualidades do humano, apagadas na cultura do industrialismo sejam recuperadas. Isto não por um problema moral ou ideológico e sim para que o funcionamento do social, da produção não perca o sentido para o qual foi criado, o homem mesmo. Intuição e criatividade aparecem como recursos do humano na produção, não subordinados a nenhuma automatização ou planificação cibernética. São estas qualidades do humano que, como disse anteriormente ''apagadas'' pelas visões da realidade presente na cultura do industrialismo, emergem com a força do reprimido. Não necessariamente como sintoma, como algo aberrante e sim como algo que ressignifica o sentido da produção. É necessário pensar porque o homem dedica uma parte tão importante de sua vida, medida em tempo objetivo (horas no dia, semana, mês e ano) a trabalhar recebendo em troca sempre algo a mais que seu salário. Este algo a mais que tanto pode ser humilhação, estereótipo, desvalorização, como também, nas organizações mais inteligentes do nosso país, valorização, criatividade, desenvolvimento das responsabilidades individuais em função de interesses coletivos, dignidade e respeito, é o espaço que faz possível nosso trabalho de desenvolvimento da intuição e criatividade nas esferas da produção. Penso que nosso encontro, ao falar da dívida, deverá considerar estes aspectos da subjetividade humana no ato produtivo. Entender que algumas das dívidas que temos conosco, herdadas da antiga visão do homem como produtor, poderão ser resgatadas desenvolvendo os potenciais intuitivos e criativos. Potenciais que foram feridos e machucados por uma modalidade de produção que tomava como modelo linhas de montagem, esperando do homem só acompanhamento e subordinação, esquecendo a diferença fundamental que este possui e possuirá com relação a máquina: sua capacidade de intuir, imaginar e criar. Será necessária a conscientização por parte do empresariado e dos dirigentes brasileiros, que seu maior capital está na qualidade dos seres humanos que trabalham em suas organizações. Da mesma forma que nos preocupamos com as condições objetivas do ser produtivo, aperfeiçoando seus conhecimentos, informações e treinamento nas novas tecnologias, será necessária também cuidar e facilitar a evolução das condições da subjetividade, desenvolvendo sua cultura, sensibilidade, percepção e sentimento de responsabilidade individual e coletiva. Este será um caminho longo não possível de verificação de resultados de forma imediata nem facilmente quantificáveis. Falávamos de processo e de que este não pode ser pensado de forma homogênea e compacta. Certos valores da modernidade que, como dizemos, possibilitam um novo humanismo, fundamentado na heterogeneidade, nos pedaços descontínuos, embora relacionados que formam um todo; na percepção, aceitação e convívio com as diferenças, nos apresentam uma nova perspectiva para pensar o momento histórico produtivo. Esse momento histórico da nossa realidade brasileira apresenta, nas organizações, culturas diferentes e até contraditórias entre si. A mesma diferença e contradição é possível achá-la tanto nos setores de uma organização quanto num mesmo sujeito. É momento e processo de grandes mudanças e são evidentes as contradições, as diferenças e a heterogeneidade nas formas de pensar, nas posturas éticas e profissionais ante o ser que produz. Cada vez menos podemos falar de cultura de uma organização, devemos pensar em setores, em pedaços, com maior ou menor poder de influência geral e que se fazem presentes num aqui e agora de tal ou qual organização. Trabalho, salários, produção, imaginação, valores éticos e criatividade se desenvolvem no seio deste processo de mudança ideológica das organizações e, portanto, nos seres humanos que nelas trabalham. Todo trabalho que vise ao desenvolvimento da intuição e criatividade deverá estar consciente das formas dessa mudança, que é a passagem do industrialismo à modernidade. Consciência que, com a sabedoria da experiência da ciência, não nos
permite incumbir-nos de expectativas messiânicas e pretender levar o
momento histórico atual para algum lugar pré-determinado. Sabemos que só
poderemos acompanhá-lo com o apoio das inteligências mais progressistas
presentes nas organizações brasileiras.
2 - Intuição e criatividade - elucidando enganos.Brevemente, tentarei referir-me a alguns dos enganos presentes ao falar de criatividade e intuição, marcando posições a respeito.
3 - Por quê, para quê e como desenvolver a intuição e criatividade?Quando nos detemos e pensamos: por que a criatividade é intuição?; o que nos faz dedicar-nos a este tema? Faz-se necessário lembrar a colocação de D.W. Winnicott, no seu livro ''O Brincar e a Realidade: é através da percepção criativa, mais que qualquer outra coisa, que o indivíduo sente que a vida é digna de ser vivida. Em contraste, existe um relacionamento de submissão com a realidade externa, onde o mundo, em todos os seus pormenores, é reconhecido como algo a que se ajustar ou exigir adaptação''. Concordamos com esta afirmação de Winnicott, que é psicanalítica, antropológica, ideológica e filosófica. Esta colocação marca posições de como entendemos a produção e ao ser que produz. Por isso fundamos o C.D.I.C. - Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade, empresa dedicada a organizar programas de desenvolvimento da intuição e criatividade na totalidade das condições de vida das pessoas, e em especial, no que diz respeito a sua produção. Mas isto poderia ficar no plano das intenções, das ideologias presentes em nosso pensar. O fator que o faz possível são as profundas mudanças com respeito às formas de conceber o homem que produz. A fundação do C.D.I.C. expressa desejos que transpassam nossa individualidade e que pertencem à história. Por isso é que nos consideramos paridos pela história, emergindo dela e da qual nos consideramos agentes coletivos de enunciação. Faz mais de vinte anos que a intuição e criatividade são eixos de nosso interesse, estudo e pesquisa, visando a objetivos psicoterapêuticos e outros diferentes dos primeiros, que é, o treinamento e desenvolvimento da consciência nas empresas, escolas e hospitais. Sendo nosso primeiro trabalho publicado: ''Hacia la construcción de un 'role-playing' psicanalítico; psicohigiene y entrenamiento de maestra jardinera''. Autores: Edgardo Musso e Fidel Moccio - Revista Argentina de Psicologia, año 3, nº 10 - Ediciones Nueva Visión, Diciembre de 1971. E isto para quê? Existe um determinante na sociedade capitalista. A retribuição econômica pelos serviços prestados. Mas isto não esgota o sentido da nossa produção, como a de qualquer trabalhador, seja proprietário, diretor, gerente ou funcionário de qualquer escalão hierárquico. Acreditamos que nossos seminários contribuem para reforçar a valorização do homem como ser produtivo. Mas insistimos que isto está na história e é a atual mudança de paradigma (pensamento, percepção e valores que forma uma determinada visão da realidade) que nos possibilita uma percepção holística da produção e que nos mostra como a economia, saúde humana, cultura, tecnologia e ecologia estão necessariamente relacionadas. Isto aparece formalizado por um dos pensadores contemporâneos mais importantes, Fritjof Kapra. Esta nova visão da realidade se dá não só nas atividades especulativas filosóficas e científicas e sim também nas planificações que economistas, técnicos, empresários e dirigentes da sociedade mais conscientes, realizam para delimitar seus objetivos nas mais diferentes áreas de produção.
4 - Como trabalhamos em nossos programas de desenvolvimento da intuição e criatividade?Para brevemente tentar explicar nosso trabalho, faremos menção a posições que abrangem colocações filosóficas, antropológicas, teórico-epistemológicas e técnicas específicas. Nossa origem pode ser encontrada na Psicanálise e na Psicologia Social da Escola Argentina, de Enrique Pichón-Rivière, ou seja, falamos de finais da década de sessenta, início da de setenta. Estes discursos teóricos e filosóficos nos davam recursos para poder pensar a subjetividade, o psiquismo e suas manifestações nos níveis individuais e coletivos. O tempo passa e não impunemente, falamos repetidas vezes. A psicanálise se desdobra em sócio-psicanálise, sócio-análise, esquizoanálise, psicodrama psicanalítico, etc. Freud continua, Lacan continua, Melaine Klein continua e Winnicott continua, mas também aparecem com mais força no pensamento contemporâneo e na compreensão das organizações, outras alternativas à psicologia social adaptativa americana, como Foucault, Deleuze, Guattari, Gérard Mendel, Lourau, Lapassade na Europa; e Peter Drucker nos Estados Unidos, entre outros. Aparecem outras formas de compreender o momento da civilização, como Alvin Toffler. A metodologia utilizada em nossos seminários tem por objetivo desbloquear, reconhecer e possibilitar o desenvolvimento do potencial intuitivo criativo. Produzir uma análise reflexiva individual e grupal de quando, como e onde utilizar recursos criativos nas atividades que desempenham os participantes do seminário. O modelo aplicado corresponde a situações grupais contemplando momentos de inclusão, diferenciação e individuação. Consiste em atividades que começam com desacoplamento do rotineiro-estereótipo, continua com momentos de incubação, reconhecimento reflexivo e alternativas de aplicação da intuição e criatividade em situações diversas. As técnicas utilizadas em nossos seminários são:
Edgardo Musso Centro de Desenvolvimento da Intuição e
Criatividade Entre em contato com a gente pelo e-mail cdic@cdic.com.br |