PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

 

Espiritualidade: os velhos e as eleições

 

Dias atrás, na última reunião com os professores do Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade e Centro de Estudos em Psicoterapia e Prevenção, Glória, um de seus membros, mestre, paciente e amiga, me diz ‘‘Edgardo, já que estás escrevendo das coisas do cotidiano seria bom falar dos velhos. Sua sugestão ficou enlaçada no meu pensar e não soltou. Imagens confusas, contraditórias, frases e pensamentos mais elaborados não paravam de rodopiar no filme da minha mente. Desse redemoinho surgiu uma imagem: um velho de traços orientais e idade indefinida pelo calendário. O vi na praia quase que perdido entre as gatinhas e alterofilistas com um garotinho que seria provavelmente seu neto. Brincavam perto da água sem parar de se olhar um ao outro. O menino corria, pulava, dava cambalhotas caindo na água. Em seu corpo podia ver sua aura que brilhando se misturava com a areia e água expressando alegria e satisfação espiritual de estar vivo. O velho, que batizaremos de Sr. Arthur, olhava sorrindo em direção ao menino com a curiosidade de quem também é criança e sabedoria do adulto.

Olhar de cor celeste continha tudo, falando também de sua satisfação e alegria espiritual de estar vivo e ali. Sua aura era menos brilhante e esparsa, mas também mais clara e direcionada. Seu corpo sentado, barriga saliente, pernas entrelaçadas, costas e ombros inclinados à frente mostravam que carregava, mas sem esforço, o tempo. Tempo com e além do calendário. Tempo de realização do espírito e de vida mundana que permite a possibilidade de saber mais como são as coisas, um cordão verde e rosa de amor os uniam e ali estava o segredo da alegria e harmonia entre os dois. Eu os olhava me nutrindo com satisfação que imagino de um obeso lindo no Porcão. Não falei com eles, não quis interromper. Que esta escrita me sirva para concretizar o diálogo no feito com o Sr. Arthur e com aqueles de seu tempo, ‘‘os velhos’’.

Desculpe Sr. Arthur, interromper, mas estamos em época de eleições. Como o Sr. sabe as coisas nesse sentido estão muito, mas muito difíceis. Eu e outros companheiros meus sobreviventes da época de 68, que acreditamos que o ‘‘sonho não acabou’’, que a ‘‘imaginação deve estar no poder’’; que o amor é e deve ser em liberdade; que a economia, ciência, tecnologia, religião, política e tudo o mais deve estar a serviço do humano; que não há nada mais importante que aumentar a satisfação de estar vivos e que o espírito se realiza nas condições da vida cotidiana das pessoas; que o mundano e o espiritual são a mesma coisa; que não importa tanto a causalidade e o determinismo kármico das vidas passadas porque é na oportunidade da vida que o espiritual se realiza; que escolhemos a Gaia como nossa Deusa e ela é o nosso planeta Terra, Nossa Mãe; que a força e a potência do divino está no interior do humano que também é Gaia junto com os mares, florestas, a tecnologia, enfim tudo o que produz nossa vida cotidiana.

Novamente peço desculpas, Sr. Arthur, se interrompo a brincadeira com seu neto, mas todos nós estamos passando por épocas, como falei, difíceis. Estamos em dias de eleições de governantes e o que eles nos geram é medo, desconfiança, tristeza, raiva, mágoa, muito pouca alegria Sr. Arthur. Gostaríamos que o Sr. e outros amigos seus formassem um conselho para ajudar a administrar nossas vidas em pequenas comunidades onde se aceitem as diferenças. Talvez o Sr. e amigos de sua geração com bastante tempo vivido tiveram a oportunidade de saber quais são as coisas mais importantes. Eu vi o Sr. com seu neto. Essas cores azul da espiritualidade, verde do equilíbrio e rosa do amor é o que necessitamos dos nossos governantes e administradores. Pense em nossa proposta, Sr. Arthur, que enquanto isso ficaremos falando por aí.

 

Edgardo Musso

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