PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

Jornal Tocantins

Tom Lima

Repórter de Cultura

 

1 - Como conceituar a intuição?  Quem a estuda é a psicologia?  É um dom de poucos ou todos têem?

R : A intuição é uma informação sutil, não racional nem governada  pela própria vontade, que surge do interior da  pessoa e tem a ver com um tema de sua vida que é de importância vital para ela.  Estes temas podem ser variados e podem ter a ver com seus afetos, sua sexualidade, sua vida econômica ou outros que necessitem ser avaliados para tomar decisões, ou escolher entre diferentes alternativas.  É estudada pela psicologia nas abordagens científicas, mas também formam parte dos interesses de diferentes religiões.

Posso afirmar, depois de muitos anos de estudo, que todo mundo tem capacidade intuitiva, o problema consiste em percebê-la e aprender a lidar com ela.

 

2 - Como a pessoa deve agir com sua própria intuição?

 R : O problema fundamental é perceber os sinais que a capacidade intuitiva envia à nossa consciência para podê-la identificar, depois confrontá-la com nosso raciocínio e por último utilizá-la a nosso favor.

 

 3 - Quem não consegue ser intuitivo, o que deve fazer e como desenvolvê-la?

 R : Insisto que todo ser humano possui capacidade intuitiva.  Acontece que vivemos numa cultura profundamente racionalista e objetivista que conspira com outras formas  de expressão das potências das pessoas.  Nos trabalhos de desenvolvimento da intuição uma primeira preocupação é de que as pessoas possam perceber suas intuições para poder depois  aprender a utilizá-las na tomada de decisões, que resultem em efeitos benéficos para elas.

 

 4 - Para agir intuitivamente deve haver coragem para colocá-la em prática, já que as pessoas tendem a ser cautelosas.  O senhor concorda?

 R : Eu considero que a cautela excessiva pode ser inibidora da percepção da intuição e das ações que esta pode gerar.  Mas se está acompanhada de bom senso e adequada racionalidade, ter cautela é fundamental para não confundir nossa intuição com projeções de nosso psiquismo e outras conclusões erradas que podem nos levar a  tomar decisões precipitadas e sem fundamentos.  Agora bem, ter coragem é necessário para poder atuar na vida com intuição desenvolvida e criatividade e desta forma dar conta das diferentes situações que se nos apresentam como necessárias de resolver.

 

 5 - Deve haver também medo por parte das pessoas na hora de tomar uma decisão movida pela intuição?  Não há garantia de que poderá estar tomando a medida certa.  Será que é por isto que as pessoas relutam?

 R : As pessoas não necessariamente relutam, isso depende da forma em que foram educadas.  Numa educação na qual não esteve presente lidar com a subjetividade a  capacidade intuitiva se transforma numa potência que embora seja de grande utilidade para um viver mas assertivo resulta em algo parecido com colocar uma criança no interior de um carro para que se locomova nos espaços.

 

 6 - Quais as situações mais comuns em que as pessoas costumam ser intuitivas?  (Neste caso, o senhor pode citar exemplos de pessoas.  Se preferir não precisa citar nomes dos pacientes.  Tem o caso daquela que o senhor se refere no texto que está na internet).

 R : Tem esse caso como muitos outros que constantemente aparecem em meu trabalho como psicoterapeuta com pessoas, famílias ou nos workshops que habitualmente coordeno.

Dadas as características de meu trabalho a intuição me é um tema profundamente familiar.  Hoje, por exemplo, um paciente me relata que quando estava fazendo a barba de manhã cedo sentiu que seria bom ligar para um cliente e fechar um negócio que tal pessoa tinha lhe oferecido no jantar da noite anterior.  Assim fez e na sessão me diz:  “Edgardo, que bom! Quase não compro o carro que A. me ofereceu ontem.  Depois de fechar hoje de manhã, 10 minutos depois de falar com ele, me liga um amigo me dizendo que eu fechei primeiro, que me felicitava mas ficava com pena por ele já que demoraria três meses na  importação desse carro e a um preço bem superior”.

Isto para mim, em meu trabalho, acontece todos os dias e geralmente a intuição aparece quando as pessoas necessitam tomar decisões nos mais diferentes temas de seu viver.

 

 7 - No livro O Caminho da Intuição (editora Mercuryo, de São Paulo), a autora norte americana Penney Peirce, conta que a intuição pode melhorar o bem estar psicológico, a saúde física e o trabalho.  Como isso pode acontecer?

 R : A intuição como falei anteriormente é uma capacidade que os seres humanos têm para atuar mais assertivamente na suas vidas.  Quando falo assertivamente falo de seu bem estar na totalidade de seu ser biológico, psicológico e social, portanto como trabalhador também.

 

 8 - Com base em sua experiência clínica, como psicoterapeuta, o senhor afirma que as mulheres são mais intuitivas que os homens.  Como explicar?

 R : As mulheres são mais intuitivas por razões culturais e históricas, mas também, e diria fundamentalmente, pelo mandato que a natureza lhes faz para o cuidado e preservação da nossa espécie humana.  Isto está impresso em seu próprio corpo - a ovulação, seus ciclos menstruais e as alterações hormonais e afetivas que isto produz - induz a estarem mais atentas às nuanças e mudanças internas corporais e afetivas.  Portanto, em sua vida íntima, lugar da intuição nos seres humanos.  Mas esta missão de cuidados as leva, segundo o constatado por mim em meu trabalho clínico terapêutico, a utilizar sua capacidade intuitiva para prever perigos, deixando postergada a possibilidade de usá-la para perceber oportunidades de escolhas para um mais satisfatório viver. E isto nas escolhas profissionais, amorosas, sexuais e em todos os temas que poderiam ser gratificantes em nossa vida.  Uma tarefa importante em meu trabalho é colaborar para utilizar esta potência intuitiva nas escolhas necessárias para uma maior satisfação nas suas vidas.

 

 9 - Para tecer esta afirmação, o senhor teria se baseado em suas vivências clínicas ou pesquisas também?

 R : Sou psicólogo, psicoterapeuta, professor e pesquisador.  A clínica é o espaço fundamental para validar nossos conhecimentos seja o gerado por mim ou outros colegas que trabalham em diferentes centros científicos e de outros países.

 

 10 - O senhor fala também sobre a intuição relacionada à criatividade como um instrumento fundamental para um viver mais rico e produtivo dos seres humanos.  Como é esse trabalho de associar intuição com criatividade?

 R : Tanto a intuição como a criatividade foram abafadas pela chamada cultura das máquinas pertencente a era industrial.  Se privilegiava o objetivo, o racional e o previsível.  O desenvolvimento tecnológico possibilitou perceber que a quantidade de informações muitas vezes contraditórias,mas todas elas  consideradas objetivas só que geradas por diferentes fontes e critérios, gerava escolhas para a tomada de decisões diferentes, fazendo que nossas expectativas de certeza e previsibilidade resultassem impossíveis.

A intuição apareceu no mundo contemporâneo como necessária de resgatar até para admiti-la na tomada de decisões ante a aceitação de que a previsibilidade sempre se daria  na forma de mais ou menos, e isto tanto no mundo da ciência, como no caso da física quântica, como no mundo dos negócios.  A intuição nos brinda benefícios para prover-nos de informação, mas na vida se faz necessário não só saber e sim também atuar a partir dos diferentes saberes.  Por isso necessitamos de atos criativos que possibilitem atuar num mundo que está em constante movimento e mudanças e que se não somos criativos não podemos dar conta dele.

 

 

 

Edgardo Musso

Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade
Rua Gabriel Garcia Moreno, 450
São Conrado - Rio de Janeiro - Brasil
CEP 22610-360
Telefone (021) 3322-4009 e 3322-0808
Fax (021) 3322-4009

Entre em contato com a gente pelo e-mail cdic@cdic.com.br