PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios

 

1) Como o pequeno empresário pode estimular a criatividade dentro da sua empresa?

 

R : Ao falar de criatividade também de intuição estamos falando, antes de mais nada, de subjetividade humana nas formas individuais grupais, organizacionais e coletivas em um momento da história de uma cultura e seus paradigmas que neste caso se constroem ao redor do tema dos negócios ,da produção e de seus destinatários. Os pequenos empresários configuram um setor produtivo que resulta válido diferenciá-los como grupo na medida que enfrentam problemas, necessidades e formas de alcance e penetração no mercado semelhantes. Isto não quer dizer que possamos generalizar a resposta de como poderiam estimular a criatividade em suas empresas. Cada organização apresenta singularidades em seu ambiente intersubjetivo que devem ser respeitadas numa criteriosa avaliação prévia da implantação de qualquer programa de desenvolvimento da criatividade. E necessário se afastar da idéia de que criatividade, intuição ou qualquer outra manifestação da subjetividade humana possa ser implantada, e ou desenvolvida com os critérios usados para o mundo do objetivo ou material.

Se é verdade que realmente se percebe que, como tenho falado insistentemente, o maior capital que uma empresa posui são os seres humanos que nela trabalham devemos respeitar a qualidade e caraterísticas específicas desse potencial e realizar investimentos que não sejam meras bricadeiras. Meu ofício fundamental é de psicoterapeuta e trabalho ao redor de um objetivo último que trascende as diferentes teorias, técnicas e critérios chamados psicopatológicos .Consiste em aumentar a satisfação dos seres humanos em estarem vivos. Isto desde uma perspectiva sistêmica  que respeitará a lei cientifica e ética da unidade de todas as coisas. Explicitados estes objetivos e critérios de meu trabalho posso dizer:

 

Um - É necessario realizar várias entrevistas com os empresários interessados e com aquelas pessoas que compoem seu primeiro escalão dentro da estrutura de poder da sua organicação. Com a finalidade de conversar e  trocar idéias com respeito ao que se quer e os alcances e limitações de todo programa de desenvolvimento da Intuição e Criatividade na sua empresa;

 

Dois - Apresentar uma proposta de implantação do trabalho que deve ser conversada, discutida, adequada ao possível da situação específica . Esta atividade deve ser esclarecida advertendo as consequências e influências no clima e cultura da organização e compartilhada racional e emocionalmente pelos responsáveis do sucesso da atividade, que nunca sera só da responsabilidade do profissional contratado;

 

Três - Fase de implantação que deverá contar com o maior apoio político possível dos responsáveis na tomada de decisões nos diferentes niveis de poder da organização. É fundamental nesta fase não apresentar cronogramas rígidos já que as caraterísticas deste trabalho sobre a subjetividade dependem de uma concepção do tempo diferente da de outro serviço sobre o objetivo, racional, ou material. Se isto não se admite e respeita poderá acarretar numa perda do investimento em tempo e dinheiro para todos, a empresa e seus contratados;

 

Quatro - Encontros de avaliação dos resultados do programa e intervenções de reforço  nos diferentes setores da organização que sejam necessários.

 

2)Como o empresário pode estimular seus funcionários a produzir mais e melhor?

 

R : Produzir mais e melhor é um objetivo fundamental para toda e qualquer empresa. O complexo desta pergunta reside em quais são os critérios, valores e comprensões à respeito do significado humano que estão presentes nesta aspiração. Isto para todos os que participam do processo produtivo, empresários e pessoas que trabalham em suas empresas. Foi dado um grande passo em começar a pensar sobre a produção humana com os critérios da chamada qualidade total. Isto dirigiu a percepção não só dos resultados imediatos do que foi produzido nas empresas como entender também o custo psíquico que está presente em tal ou qual forma de produzir . Como também na qualidade de vida das pessoas no interior de sua atividade produtiva. Ultimamente, conjuntamente com o critério da necessidade de auto sustentar os crescimentos aspirados pelas empresas para não deteriorar o meio ambiente natural e humano se está agindo em relação à responsabilidade social dos investimentos para com o mercado ou publico consumidor e os seres humanos que trabalham. Portanto, como estimular aos funcionários depende da cultura de cada empresa e como esta está mais ou menos engajada nas tendências desta nova forma de considerar a produção.

 

3) Como fazer com que os funcionários se sintam mais participativos nos processos da empresa?  Como chegar lá?  

 

R : Antes de mais nada consiste em aceitar, reconhecer e valorizar que os que trabalham em uma organicação participam da produção e que o contratado não é sua força de trabalho e sim sua capacidade de gerar (sempre numa atividade em conjunto com outras pessoas) tal ou qual produto. Durante muitos anos desde o começo da atividade industrial se entendeu que existiria uma luta entre os que trabalham nas empresas e seus proprietários. Nestes começos o tema era como conseguir o capital, instrumento de trabalho do empresário como o é um serrote para o marceneiro. E por outro lado como conseguir melhores retribuições para a venda de uma força de trabalho sem maiores compromissos com a atividade produtiva entendendo que os beneficios desta seriam só aproveitados pelos proprietários dos meios de produção. Estávamos em épocas de lutas e no interior dessa luta não podia existir reconhecimento daquele que produz como verdadeiro agente da produção, exigiria maiores beneficios pela sua atividade. Os tempos mudaram.  Hoje funcionários e empresários se reconhecem mutuamente como agentes e participantes da produção. Acontece que estas formas antigas de comprensão do que é uma atividade produtiva na chamada luta de classes se fazem presentes ainda hoje tanto para os participantes funcionários como os participantes empresários. Se se entende isto e curados da sídrome que eu chamo de “tarados por dinheiro” surgida nos começos da cultura industrial e espalhada em trabalhadores e empresários, chegar ao reconhecimento de participantes do processo produtivo é relativamente fácil. Isto deve incluir:  aumento da autoestima, valorização da participação na produção de empresários e funcionários, transparência na situação financeira da empresa, entender que o acesso ao trabalho e a uma qualidade de vida satisfatória é um direito de todos (como está presente na decisão da empresa Aol de destinar uma porcentagem de seu faturamento para melhorar o nível de qualidade de vida de seus funcionários), de que as remunerações econômicas sejam feitas segundo os resultados e de desenvolver o sentido de responsabilidade individual em função de interesses coletivos.  

4) Jogos de empresa são recomendados?  Quais?

 

R : Uma recomendação de jogos como instrumentos para desenvolver a criatividade nas empresas requer uma prévia reflexão. Toda atividade empresarial na chamada cultura do industrialismo apostou no modelo da máquina para guiar suas aspirações de previsibilidade e certeza para o cumprimento de suas metas. Este modelo foi transladado para o que os seres humanos deviam produzir e como. Este paradigma esta mudando e o que caracteriza o humano como tal que é sua sbjetividade, sua capacidade de emocionar-se, imaginar, intuir e criar esta tentando ser recuperado na medida que passa a ser considerado como uma qualidade que, queira ou não, está presente na atividade produtiva. Nesta mudança da forma de considerar a produção, produz-se a abertura de um novo mercado em forte expansão para satisfazer as demandas de resgatar aquelas qualidades abafadas pela cultura das máquinas .Produz-se um sem número de argumentações teóricas e técnicas para o estímulo e desenvolvimento da criatividade e intuição.  Posso tirar algumas conclusões depois de maiis de vinte anos dedicado a este tema como psicoterapeuta, professor e pesquisador dedicado à subjetividade humana em pessoas, grupos, famílias e organizações. Não considero válido afirmar a efetividade de nenhuma técnica sem entender primeiro o específico da situação sobre a qual será aplicada, neste caso tal ou qual empresa e seu funcionamento.  É muito difícil avaliar a eficácia de uma técnica independentemente de quando, como, porque e para que é aplicada sobre a subjetividade dos seres humanos (e esta é a matéria prima com a qual trabalhamos).  A técnica não produz atos criativos, os que sim os produzem são as pessoas.  Da mesma forma, as pessoas não devem ir às técnicas para estimular a criatividade e sim as técnicas devem ir às pessoas num determinado momento de suas vidas. Prefeferia falar dos objetivos a serem alcançados já que as técnicas podem ser múltiplas e até criadas para dar conta de uma situação específica como  numa pequena empresa composta de tais e quais pessoas. Agora bem, na minha metodologia de trabalho privilegio um objetivo primeiro e fundamental que consiste em ajudar a perceber onde já está presente, a criatividade e intuição. Possibilitar reconhecê-la como algo que acompanha o dia a dia das pessoas, que é algo que caracteriza os seres vivos e que se não fosse assim não existiríamos já que o mundo interno e externo está em constante mudança e que a imprevisibilidade e a necessidade de inovar está constantemente presente. Só depois de percebida, reconhecida e identificada será estimulada e desenvolvida nas diferentes situações da vida dos seres humanos como no trabalho e tudo mais. Neste tema de recuperar a capacidade de criar devemos ir da vida ao trabalho, do geral ao particular, na medida que as condições de  como se trabalha são produtoras de psiquismo tanto como a vida familiar de origem. Sendo que as dificuldades em imaginar, intuir e criar foram geradas na cultura industrial que se apavorava com o erro e em admitir o imprevisível e na possível desestruturação do poder piramidal no interior das organicações.  Só depois transmitidas aos outros momentos da vida cotidiana das pessoas. É possível encontrar nichos de preservação da critividade e intuição em atividades não ligadas à produção que se fazem necessárias resgatar para levá-las depois às situações de trabalho. Estas técnicas utilizadas por mim e por minha equipe, embora múltiplas e diferentes, comtemplam momentos de  reconhecimento e identificação, incubação e alternativas de aplicação da criatividade e intuição nos diferentes momentos da vida.

 

5) O que mais está ao alcance de uma pequena empresa ser criativa?

 

R : Lamentavelmente deixo sem responder esta pergunta. Não disponho do tempo necessário para colaborar.

 

Edgardo Musso

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