PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

Revista Viva Feliz

 

1) O que é intuição?

 

R : Defino a intuição como uma percepção organizada em um conjunto de idéias não determinadas pelo pensamento voluntário ou racional.  Estas idéias surgem do subconsciente para resolver temas da vida que se apresentam como críticos, problemáticos ou escolhas que os seres humanos devem fazer em seu percurso.  Estes temas poderão ser afetivos, econômicos, profissionais, científicos ou outros, segundo as diferentes necessidades que aparecem no viver das pessoas.

2) Como ela ocorre no dia-a-dia? 

 

R : Como está presente na sua pergunta, ocorre no dia-a-dia dos seres humanos.  Agora bem, necessitamos de um momento que poderíamos dizer de tensão, alguma coisa para ser resolvida, que seja vital para a pessoa ou que esteja comprometendo um vínculo importante com outro ser humano, como por exemplo um filho, pais, namorados, sócios, etc. Também surge ante situações da vida que devem ser compreendidas, para evitar ou aproveitar situações do coletivo, como por exemplo convulsões no mercado financeiro, mudanças políticas de diferentes ordens, catástrofes ou simplesmente onde se sentar para estar bem acompanhado em uma festa de pessoas desconhecidas.  Esta, como estou dizendo, acontece na vida cotidiana das pessoas e o problema consiste em dar-lhe acolhida no sistema consciente, percebê-la, não reprimi-la e submetê-la a avaliação racional.

 

3) Todo mundo tem? 

 

R : Todo mundo tem intuição, como todo humano tem também raciocínio, emoções, pensamentos, sonhos e inconsciente, sendo qualidades intrínsecas que caracterizam os seres humanos.

 

4) E no cérebro, como é que se dá o processo de intuição? 

 

R : Lamento não poder colaborar com a pergunta, não sinto segurança para responder, já que não é minha especialidade.  Conheço alguma coisa das investigações de Karl H. Pribram (neurocirurgião da Universidade de Stanford) em relação ao funcionamento holográfico do cérebro e suas tentativas de explicar a sincronicidade, mas não posso fazer uma correlação certa com o tema da intuição.

 

5) O que é preciso para que a intuição aflore?  Existe alguma ténica?  Qual? 

 

R : Antes de mais nada é preciso aceitá-la, respeitá-la e entender que faz parte de nossa vida como acontecimento natural e que é fonte de informação que ajuda a nos conduzir melhor em nosso viver.  Insisto nisto de aceitá-la, o que não é fácil porque o modelo que seguimos em nossas vidas é o de procurar a acertividade por intermédio da nossa objetividade e racionalidade em um pensamento linear, que procura metas claras e na medida do possível perfeitamente definidas.  No meu caso, devido ao meu trabalho como psicoterapeuta, desenvolvido em sessões de psicoterapia, de aconselhamento e em workshops é algo que esta presente constantemente no diálogo com as pessoas com as quais trabalho.

 

A relação criada entre psicoterapeuta e cliente é de intimidade e é estimulada a percepção de nós mesmos como seres subjetivos facilitando a aceitação de nossos afetos, nossos pensamentos e, portanto, de nossas intuições.

 

Existem várias técnicas para facilitar o acesso às nossas intuições.  As enumerarei pelos objetivos.  E estes são:  identificá-las, controlá-las e administrá-las; adequando-as para que nos ajudem a um mais satisfatório viver.

 

Voce pergunta qual.  A escolha estará definida não só pela efetividade da técnica e sim também pelo que considero mais próximo da forma de ver e sentir a vida em um sentido mas amplo.  No meu caso é o profundo valor que dou a estar perto da nossa mãe natureza, fonte de todo o vivo.

 

Esta técnica tem o nome de sensibilização ecológica e foi gerada em muitos anos de trabalho sobre este tema.  Contempla momentos de desacoplamento, incubação, reconhecimento e aplicação na vida, dos dizeres da intuição.

 

6) Por que a maioria das pessoas não percebe as intuições? 

 

R : Acontece que foram muitos e muitos anos de tentativas de que a razão guiasse nossas vidas e nos foi apresentada como o único processo confiável.  A intuição era considerada algo que não tinha lugar em nossas expectativas de certeza.

 

Nada favorece, na vida das pessoas até agora, nem em seus trabalhos nem no convívio diário com os outros seres da chamada civilização ocidental, parar para sentir e pensar sobre interiorizações ou aprofundamentos de nenhum tipo.  A intuição, da maneira como se apresentam aos seres humanos contemporâneos, necessita calma e instrospecção para ser percebida, e a noção de tempo e sua utilização na modernidade resulta incompatível com isto.

 

Os critérios ou paradigmas que regiam a vida social nos começos da sociedade industrial não possibilitavam que os dizeres da intuição fossem considerados de utilidade.

 

7) Existe alguma diferença na intuição de homens e mulheres?

 

R : Existe sim.  As mulheres estão mais aptas para o reconhecimento de suas intuições.  E as razões para isso estão em seu próprio corpo, nas demandas de manutenção e preservação da espécie que a humanidade fez antes da engenharia genética mantendo esta no campo da especulação científica e na medicina aplicada, ainda não foi incluída nas formas do pensar da nossa cultura.

 

Seus órgãos sexuais, as modificações cíclicas hormonais que acompanham a ovulação, as mudanças afetivas que se apresentam nestes momentos, a amamentação e o cuidado da prole fazem com que as mulheres desenvolvam mais suas percepções em relação ao mundo interior. Isto facilita a percepção da intuição como algo que as caracteriza e diferencia dos homens.

 

8) Por que hoje em dia esse está sendo um assunto tão comentado? 

 

R : Não podia deixar de ser.  As mudanças tecnológicas introduziram mudanças nos valores, sistemas de crenças e comportamentos deste mundo humano globalizado.  Foi necessário se dar conta dos benefícios e também sérios problemas que a cultura do industrialismo gerou para as diferentes manifestações da vida.  A necessidade de perceber que o crescimento deve  ser  autosustentável, que a vida é um direito nosso e das gerações futuras, que os valores como cuidado, preservação, espiritualidade, desenvolvimento do femenino, da importância das micropolíticas em relação à não violência, à fome, à educação, ao direito do prazer e à produção de uma vida mas satisfatória torna-se importante para garantir que a vida tenha algum sentido.  E isto deve ser entendido em relação aos nossos rios, mares, ao ar, às diferentes espécies animais, às plantas, aos pássaros e à toda forma de vida natural como também aos seres humanos e a algumas de suas qualidades essenciais, como são suas capacidades de intuir, imaginar e criar.

 

No que diz respeito às atividades humanas dedicadas à produção, também procura-se recuperar a intuição e a criatividade para reger escolhas e comportamentos ante a um mundo veloz e superinformado, muitas vezes contraditório e que enfim é aceito como imprevisível.  E isto desde uma atividade científica como a física até um dono de supermercado.

 

9) Que tipos de benefícios a intuição pode trazer para a pessoa? 

 

R : A intuição é uma fonte de informação valiosa para tomar decisões que fazem parte da totalidade da vida das pessoas sempre que acompanhada de uma responsável racionalidade.

 

A vida apresenta constantemente situações críticas onde é necessário escolher um rumo a seguir.  Isto podemos constatar em temas nos quais estão incluídos nossa capacidade de amar, como na escolha de um parceiro (aquele com quem compartilharemos nossa sexualidade e nossas necessidades de companhia) até que tipos de investimentos econômicos fazer, e em que setores da atividade produtiva.

 

10) Por que um instituto para desenvolver a intuição? 

 

R : Os primeiros companheiros na fundação do Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade foram Pablo Musso e Katia Rech, e isto faz aproximadamente 13 anos.  Se me apresentava como necessidade pessoal devido ao difícil e árido que estava sendo para mim uma longa vida acadêmica, científica e profissional  ao redor do tema da subjetividade humana e suas necessidades de melhorá-la, tentando encontrar isto no campo das psicoterapias de bases psicanalíticas.  Sem destituir minha história como psicotrapeuta e psicanalista o Centro me permitia divulgar meu trabalho ao redor do tema da intuição e criatividade e também outros temas associados.  Como que toda e qualquer atividade humana, seja econômica, científica, tecnológica ou espiritual deveria servir para aumentar a satisfação de estar vivos dos seres humanos e que o divino estava no fato de existir, sendo encontrado na vida cotidiana das pessoas.  Entendia que não existiam planos diferentes entre o espiritual e o mundano.  Munido das idéias da ecologia profunda considerava que era trabalho da psicoterapia também encontrar no humano sua fonte natural que o incluía como mais uma expressão da vida na unidade de todas as coisas.  Foram se juntando outros companheiros científicos, profissionais, com esta maneira de entender a espiritualidade.  Estes vinham de diferentes origens como a medicina, pedagogia, economia, sociologia, psicanálise, artes plásticas, psicoterapia, e psicologia aplicada aos departamentos de recursos humanos de empresas.  Fundamos uma Organização não Governamental que dirijo faz aproximadamente cinco anos.  A finalidade da O.N.G. é cuidar, preservar e desenvolver a criatividade e a intuição como qualidades do humano ameaçadas de extinção pelos paradigmas da cultura do industrialimo.  E aqui estamos.

 

Posso apresentar dois tipos de currículos.  Um resumido de minha vida profissional,

que passo a enviar neste e-mail e outro de carácter mais pessoal que está presente na home-page www.cdic.com.br no link Histórico.

 

Psicólogo – Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina.

 

Psicanalista – na linha da Escola Argentina de Henrique Pichón Rivière, Buenos Aires, Argentina.

 

Diretor geral do Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade – ONG (Forum Nacional das ONGs), D. F. Brasília.

 

Psicoterapeuta – indivíduos, grupos e famílias.

 

Pesquisador, palestrante e docente a nível de graduação e pós-graduação tendo atuado em diferentes organizações científicas, profissionais e universitárias – Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina;  Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de Buenos Aires, Argentina;  Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de El Salvador, Buenos Aires, Argentina;  Associação Mexicana de Psicoterapia Analítica de Grupo, A. M. P. G., Distrito Federal, México;  The University of Connecticut, Departament of Antropology e The Puerto Rico Studies Center, Estados Unidos;  Universidade Santa Úrsula – Centro de Ensino, Pesquisa e Clínica em Psicanálise (pós-graduação), CEPCOP – participando de sua fundação e como professor.  Rio de Janeiro, Brasil.

 

 

 

Edgardo Musso

 

Centro de Desenvolvimento da Intuição e Criatividade
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