PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

 Psicoterapia – Um dia de trabalho

 

Nesta    última    sexta-feira,    ao    voltar    da  floresta,  depois  de  um trabalho de sensibilização  ecologia e batizar uns remédios florais californianos e ingleses, fui à praia.

Olhe o mar atentamente, procurando meu filho Alejandro e ver se estava tudo bem. A cem metros do mar estava ele, montado em sua prancha “esperando onda” entre outros surfistas.  Fez  um  “V”  de  reconhecimento  com  os  dedos  de sua mão direita e um OK também com a mão, “pacto de cordão selado”.

Respirei  com  ritmo  e  profundidade  e senti que rapidamente me harmonizava. O masculino do mar entrava via meus pulmões, a energia do terceiro chacra se expandia por meu  corpo,  afetos,  pensamentos na forma sutil  espiritual  de  Gaia.  As  cores  azul  e amarelo se faziam  presentes dando intensidade e brilho ao verde profundo e calmo que o trabalho na floresta tinha deixado.

Sentei   na   areia,   olhando,   escutando,   cheirando,  sentindo em direção ao mar, enquanto  na  minha  mente revisava o trabalho se sensibilização ecológica feito com meu paciente e com nossos florais.

Sérgio,   psicomotricista   e   professor,   que   estava  descansando deitado na areia a  poucos  metros  começou  a  conversar  comigo  e fez uma pergunta que soou como um “gongo” dentro de mim.

Escuta, como você trabalha?

Como assim? Perguntei.

Como  vocês  trabalham? Vocês são um grupo de psicoterapeutas que lidam com a criatividade das pessoas?

E. Mas o que você quer saber?

Que  tipo  de  pessoas lhes procuram? O que vocês fazem com elas? E como vocês trabalham?

Minha  resposta foi parcialmente incompleta, mas gostei por senti-la clara e direta.

Olha,  Sérgio,  as  pessoas  que  nos  procuram estão sofrendo por alguma coisa, ou estão   procurando   seu   desenvolvimento   mental,   emocional  e  espiritual  ou  as  duas alternativas como acontece, geralmente, nos humanos sensíveis.

E  o  que  fazemos  e  como  trabalhamos,  vou te dizer. Trabalhamos com o vento, com   as   árvores,  o  rio,  as  plantas,  a  areia,  o  mar,  os  cheiros,  os  florais,  as  cores, meditando,  conversando psicanaliticamente, sentindo, pensando no significado do existir e sempre procurando desatar os nós que “atrapalham” o usufruir

Senti  que a reposta era suficiente, que necessitava de um momento para mim e me afastei   alguns   metros.   Mas   essa   noite,   antes   de dormir, pensei: que engraçado, só consegui  falar assim depois de afastar-me da Universidade. Em meus trintas anos de vida acadêmica  já mais  consegui  dar  respostas  que  me  satisfizessem  espiritualmente a mil perguntas   feitas   pór  psicólogos,  médicos,  psiquiatras,  psicoterapeutas,  psicanalistas, enfim “trabalhadores científicos da  subjetividade”.  Consegui  me  sentir  conhecedor  da ciência, das teorias e técnicas, estudiosos responsável, inteligente, mas nunca alegre desta forma.

Esta  noite  sonhei  com Emílio Rodrigué, psicanalista, psicoterapeuta, velho amigo e   com   Pichón Riviere,  meu  mestre  na  “arte”  da  cura  psicanalista,  que  me  sorriam carinhosamente  com  ar  maroto. Acordei contente,abri a janela de meu quarto, a floresta estava bonita. Dei bom dia a família, tomei o café da manhã e me sentei a escrever.

 

Edgardo Musso

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