PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO

 

A Vida e suas transformações

 Salvador Dalí

Criança e Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo

 

(Grupo dos três Cs : Cura – Criatividade - Cultura)

              Metodologia destinada aos seres humanos que estejam dispostos à investir em si mesmos para se possibilitar uma mais compreensiva e satisfatória qualidade de vida.

 

Síntese do  estado atual das coisas da vida:

 

              Consideramos que no mundo contemporâneo existe um mal estar que nos permite afirmar que tem coisas que vão mal, outras bem e outras mais ou menos.

Mal:  a fragmentação.  Consideramos por efeito de nossa cultura que somos indivíduos.  Entendidos estes como seres isolados que antes de mais nada devem preservar as condições de sobrevivência da vida própria.  E que o mundo é algo do qual devemos nos proteger.

              Os interesses particulares são entendidos como algo que entra em contradição com os interesses dos outros.  Vistos estes como seres que procuram seus benefícios doa a quem doer. Os objetivos na vida excluem a percepção dos efeitos dos mesmos no sistema humano e ecológico natural nos quais estão inseridos.

              O incentivo ao consumo gera uma sociedade onde o desperdício é considerado símbolo de poder, de abundância e confundido com qualidade de vida satisfatória.

               Vemos os efeitos destas crenças que expressam fragmentação nos projetos econômicos, tecnológicos, sexuais, científicos.  Emfim na totalidade das condições de nosso dia a dia.

Bem: Conciência de que não dá mais.  Existem setores, grupos de seres humanos, países, conceitos científicos, espiritualidade, projetos econômicos, culturas que algumas se interpenetram como a atuais confluências entre pensamentos orientais e ocidentais, que vão percebendo a unidade de todas as coisas.  Esta percepção holística da existência de um todo que é a própria experiência do viver, no qual está tudo relacionado e em constante conexão, nos permite reforçar o valor da preservação.  Marilyn Fergunson chama os portadores desta nova e emergente consciência ecológica de conspiradores.

              O interessante desta conspiração é que não é contra nada nem ninguém e sim a favor da preservação e desenvolvimento da vida em seus aspectos materiais e espirituais que para nós são a mesma coisa.

               Estas novas formas de pensar geram  acontecimentos concretos na vida dos seres humanos que vão desde produzir projetos econômicos chamados auto-sustentáveis (crescer sem destruir o meio ambiente atual e de gerações futuras, do qual o humano forma parte) até programas de saúde para a  qualidade de vida.  Vida das criaturas humanas em seu trabalho, em seus relacionamentos afetivos, sociais, sexuais e em cuidar de dar uma maior compreensão aos núcleos das novas famílias (recasados, com filhos por fertilidade assistida ou adotados, casais e famílias de homossexuais, etc.).

Mais ou menos:  Pela dor inevitável ante a finitude do ser humano.  Sabemos pela ciência contemporânea e nossas crenças espirituais que não existe a morte como fim e sim como transformação de uma forma de expressão da vida a outra. Esta afirmação está presente na física quântica e num sem número de formas religiosas que expressam de diferentes formas  a perpetuação da experiência do viver.  “A morte é uma ilusão”, diz Chris Griscom.  Exatamente.  E não pode deixar de ser.  É um produto da mente simbólica do homem.  No sentido espiritual mais profundo fora do aparentemente concreto, somos eternos.  Mas, como criaturas humanas o tempo que rege é o linear, o do relógio e calendário.  Neste sentido somos finitos, embora nossos propósitos de mudança se perpetuem além de nossas vidas.

              As categorias com as que avaliamos os aconteceres da vida e suas respectivas mudanças, portanto, conlevam esta experiência de finitude.  Será necessário o desenvolvimento de nossa consciência espiritual e ecológica para aliviar esse sentimento de dor inevitável de não ver com nossos próprios olhos nosso planeta, a Terra,  mais evoluído. 

              Mais ou menos por tanto em relação à nossa satisfação e alegria por nossos esforços e realizações neste mundo humano finito.

 

O que entendemos por cura:

 

               Existem, existiram e existirão diferentes, variadas, contraditórias, parciais e excludentes propostas de cura para os seres humanos. Também categorias de diagnóstico e tipologias para classificar o perturbado, o doloroso, o diferente e o anormal.  Isto foi gerado numa atividade de intenso trabalho da ciência e da religião que produziram diferentes práticas que na atualidade vemos como médicas, psiquiátricas, psicológicas ou xamânicas. Temos alguns critérios que diferenciam estas propostas.  Algumas delas são geradas no critério de encontrar o porquê,  as causas da doença, da estagnação ou da dor. Estas são de grande importância para o conhecimento do funcionamento do humano e seus destinos.  Seus resultados são mais que evidentes.  A medicina ocidental possibilitou que a idade média de vida do povo americano (bem nutrido e acéptico) chegasse aos 76 anos.  Todas elas conlevam em cada uma de suas propostas de cura e preservação da saúde uma forma de entender o ser humano e o sentido do porquê e para quê viver. 

              Paradigmas (como sistemas de crenças) falamos na contemporâneidade.  E nós temos os nossos.  É importante o conhecimento da ciência e as crenças religiosas que nos falam da causalidade transpessoal divina.  Importante é pouco, diremos fundamental. Por isso estudamos e ensinamos os conceitos da ciência psicanalítica e seus pensadores clássicos como Sigmund Freud, Carl Yung, Jacques Lacan e Sandor Ferenczi e os cognotivistas post-racionalistas da escola chilena de Humberto Maturana e Francisco Varela e o italiano Vittório F. Guidano. 

               Mas privilegiamos uma frase do Dr. Edward Bach criador dos remédios vibracionais-subjetivos recebidos das flores e que levam seu nome:  Não atacaremos a enfermidade e sim desenvolveremos as virtudes que farão com que esta se dissolva como a neve ante o sol”.

              Tomaremos, então, em conta a causalidade, o porquê da doença, mas prestaremos especial atenção ao desenvolvimento da potência e das virtudes emocionais físicas, espirituais e intelectuais dos seres humanos.  Este critério de desenvolvimento das potencialidades nos levam a incluir em nosso método de trabalho em psicoterapia os remédios florais do Dr. Edward Bach e de alguns de seus seguidores.  Os métodos de sensibilização ecológica, de desenvolvimento da criatividade e espiritualidade de Edgardo Musso e o desenvolvimento da Inteligência Emocional de Daniel Goleman.

               Entenderemos como proposta de cura e objetivo terapêutico fundamental aumentar a satisfação de estarem vivos dos seres humanos. Respeitando a lei científica, espiritual e ética básica da Unidade de Todas as Coisas que como falei em algum outro lugar amplia o dito cristão de  “amarás ao outro como a ti mesmo” pelo entendimento de que amarás ao outro que é você mesmo. 

              Neste sentido nos afastaremos da noção de pecado e ficaremos mais perto das idéias ecológicas femininas em relação a preservação da criatividade, a intuição, a não violência e ao cuidado e perpetuação da vida.

              Quando falamos de satisfação estamos nos referindo a experiência do amar no sentido amplo.  Isto significa a intimidade transcendente consigo mesmo e com os projetos e missões de nossa vida como também o reconhecimento das diferenças com os outros nas relações e acoplamentos  sem esforço no convívio. 

              Este amor é um acontecer relacional natural biológico, no sentido de Humberto Maturana, que passa a ser uma condição do viver.  Nos adoecemos ou morremos ante a falta da presença em nossas vidas dessa experiência amorosa que é condição fundante de nossa espécie.

 

A Criatividade

 

A criatividade e o vivo:  concordamos com Bárbara Brenan que o potencial criativo encontra suas bases na força do espiritual. 

              Desde nossa perspectiva da espiritualidade este acordo significará entender que criatividade está nas raízes profundas de todo o vivo. 

              Não existe vida em nenhuma de suas manifestações naturais, sejam bactérias, vegetais, animais ou seres humanos, que não conte com a criatividade para poder continuar nas condições da vida que sempre se apresenta num movimento de mudança. 

              A criatividade, então, é uma manifestação geral do viver e possibilita  o estar vivo.  Não existe vida sem criatividade.  Se expressa na totalidade das condições da vida cotidiana dos seres humanos em como comemos, na sexualidade, trabalhamos, dormimos, na utilização do tempo livre e em como adequamos nossas economias com nossas vontades de consumo. 

              Esta foi considerada, durante muito tempo, como uma qualidade especial da produção de artistas e cientistas, atividades que se safavam das necessidades da sociedade industrial de controlar e prever os acontecimentos gerados pelos comportamentos humanos.  A sociedade industrial com sua preocupação fundamental de gerar um capital considerado como instrumento de produção e acesso ao poder político, necessário para garantir a não interferência em seus propósitos e metas, enxergou a criatividade como um perigo a ser evitado.

              O modelo de homem era o modelo da máquina, podíamos confiar nelas pois não produziriam desvios no esperável. Tudo o que gerasse  possibilidade de desvio teria que ser evitado.  Com isto afastou-se a percepção do criativo até tal ponto que neste momento quando trabalho com organizações a preocupação fundamental é que o trabalho de estimulação da criatividade produza resultados concretos na atividade produtiva das empresas.  Isto é impossível de deixar de ser.  Passando a ser um problema de percepção de onde se manifesta e não um problema de eficácia técnica específica.

Os métodos de estimulação da criatividade e o tema da percepção:  em relação ao tema dos critérios de avaliação das diferentes metodologias ou técnicas de estimulação e desenvolvimento da criatividade consideraremos que se deve compreender que os seres humanos não formam um todo homogêneo.  Considerar-nos como espécie humana é uma estrutura classificatória, um esquema para diferenciar o vivo, mas é fundamental perceber a diversidade dos seres. 

              Os métodos não trabalham sobre a classificação e sim sobre os seres.  As diferentes metodologias trabalham algumas previlegiando o lúdico, outras interessadas pela velocidade das decisões intelectuais, outras as atividades de expressão artística, outras desde uma perspectiva ecológica, outras previlegiando o trabalho em equipe ou o indivíduo e assim por diante.  O correto seria não entender os seres humanos como simplesmente classe ou espécie independentemente de suas caraterísticas particulares individuais e preferências.

               As metodologias e técnicas poderão ser diversas, mas unidas nos critérios do entendimento do que significa a produção individual e coletiva, dos valores presentes nesta produção, do que são os seres humanos, do que são as organizações e quais são suas missões. Dentro disso onde está a criatividade do humano, para quê serve e porquê desenvolvê-la.

              Com o acesso à pós-modernidade e aos paradigmas emergentes de necessidade de intuir e de criar para poder participar de um mundo e mercado que gira em torno do convívio com as diferenças, veloz, super informado e globalizado criaram-se um sem número de estratégias e técnicas ditas estimuladoras do potencial de intuir e criar dos seres humanos.

               Com certa perplexidade e algumas vezes preocupação vi incluir em workshops, nos quais se trabalha com técnicas de alto impacto emocional, pessoas que trabalham em organizações.  Seres humanos se abraçando, chorando, rindo, se sexualizando ou agressivas, batendo em almofadas e colchões,  entendendo que dessa forma, tomando contato com suas emoções mais profundas e libertando a energia presa dos nós bloqueadores, estariam mais perto de sua potência criativa. Nada disso.  Estes estados emocionais profundos despertados pela aplicação de recursos técnicos que chamo de alto impacto não tem espaço para serem mantidos no dia a dia do trabalho das organizações nem sequer no convívio habitual social com os outros seres humanos.

              Que a sociedade industrial tentou abafar a criatividade pelo medo ao não previsível, ao erro e  a desestruturação das hierarquias de poder e que também as emoções e energia dos seres humanos trilharam um caminho semelhante (porque o ideal de funcionamento da sociedade industrial foi a máquina que sempre faz o mesmo sem sofrer nem gozar), não quer dizer que aprofundando nas emoções e energia aprisionada se liberará o potencial criativo.

              Nada tem a ver a carne com o tecido com o qual a cubrimos embora ante a percepção dos outros na sociedade civilizada possamos pensar que formam parte da mesma coisa.

              Me lembro de Henrique Pichón Rivière me dizendo (como mestre – terapeuta e amigo): “Edgardo, quando queiras colaborar em curar alguma coisa, lembra-te da teoria do furúnculo.  Ao ver um, não o esprema à seco, primeiro amoleça-o com compressas mornas (intervenções aparentemente superficiais, que serão as mais profundas) e depois, já amolecido, é só correr a pele para trás que o pus sairá com pouco sangue e dor” ( se referindo às intervenções altamente mobilizadoras que, em seu afã de quebrar, reforçam a atividade dos mecanismos de repressão). 

               Costumo dizer que quando queremos tomar contato com o  criativo devemos utilizar certos modelos do funcionamento da natureza.  Se queremos comer banana não adianta saculejar a bananeira. Devemos provê-la de nutrientes, cuidar de seu desenvolvimento.  Esperar quando esteja amarela, com pintas pretas e o conseguimos perceber (o que é fundamental), simplesmente descascá-la e colocá-la na boca.  Com isto quero dizer que o fundamental trabalho a ser feito com a criatividade é o de preservá-la, desenvolvê-la desarticulando os empecilhos (ervas daninhas) e conseguir percebê-la nos acontecimentos da vida como no trabalho e tudo o mais.

              Por mais medo que as culturas anteriores tenham tido da criatividade e intuição e de incluí-las na tomada de decisões de forma consciente e por mais estratégias que tenham articulado para detê-las estão presentes em tudo e uma prova disso é a constatação de que estamos vivos.

              Um dos nossos principais propósitos ao redor do tema da criatividade com indivíduos, grupos ou organizações é possibilitar percebê-la presente no dia a dia.  Isto dará condições para poder preservá-la e estimulá-la em nós mesmos e nos trabalhadores de qualquer escalão hierárquico das organizações de nossa sociedade.  Isto sim é possível e acreditamos que é altamente benefícios para o funcionamento do humano em seu conjunto.  Mas tudo isto com calma, por favor, porque de outra forma não será possível. 

               O estresse gerado nas demandas de uma cultura que privilegia a velocidade a qualquer custo é um dos empecilhos mais importantes para o encontro com o ato criativo.  “A pressa é inimiga da perfeição”, diz um ditado popular esclarecedor para este momento de mudança de paradigmas nas organizações. 

              Posso dizer, com uma experiência de mas de 20 anos trabalhando com este tema e tomando em conta a relação custo-benefício, lei básica de qualquer decisão numa economia de mercado, que os erros, os desvios de propósito, as horas perdidas por doenças, acidentes e desinteresse no trabalho produzem um custo infinitamente maior do que grupos humanos trabalhando com  responsabilidade individual em função de interesses coletivos, com tempo humano para a realização das tarefas e incentivados nas suas necessidades e desejos de imaginar, intuir e criar.

Sistemas afastados do equilíbrio:  as estruturas dissipativas e a criatividade.  Agora bem, na realidade, vivemos num mundo humano em constante mudança.  E isto quer dizer que não existe dia igual ao outro.

              Se aguçamos nossa percepção será possível ver que por mais constantes  que  pareçam ser os aconteceres do dia a dia, as nuanças externas e internas dos sistemas vivos sempre apresentam variações que levam o sistema a manter um maior ou menor desequilíbrio.  Os sistemas vivos estão afastados da estabilidade absoluta sejam estes seres humanos ou qualquer outro. 

              Na vida dos seres humanos a criatividade está presente nessa necessidade constante de produzir comportamentos adequados entre nós e nossas variações.  Quando essas variações próprias de nossa condição de instabilidade nos apresentam situações de crises de percurso, o desequilíbrio atinge pontos críticos (chamados assim por Prigogine).  Nestes pontos críticos de bifurcação do caminho para onde vamos aparece o acionar das estruturas dissipativas.  Estas atuam auto-organizando o sistema possibilitando evitar a decomposição e o caos e  criativamente nos permitem continuar na vida com novas formas de complexidade crescente.  Como é o caso de uma  mediana empresa que ante uma maior demanda do mercado  à seus produtos, decide se encontrar com maiores recursos de capital, transformando-se em sociedade anônima e colocando títulos no mercado financeiro sem perder sua historia, identidade e objetivos. 

              No humano encontramos a potência do criativo atuando para preservar as identidades dos sistemas.  E também para gerar mudanças ante uma necessidade de encontrar novas formas de complexidade adaptativa devido às interferências de seu meio interno ou externo. 

              Estamos falando de crises, de mudanças e criatividade dos sistemas vivos sejam eles pessoas, grupos familiares, casais ou empresas.

              Concordo, por considerá-los úteis, com certos conceitos gerados na linha de trabalho inspirada por Maturana e Varela (teoria da autopoiese).  Com Guidano, pela inclusão do conceito de vínculo e afeto na análise do comportamento do vivo e com o especialista na imprevisibilidade, Ilya Prigogine.

              O vivo, em qualquer de suas formas de se organizar, são sistemas, insisto, afastados do equilíbrio.  A tentativa de certezas  tranquilizadoras ante mudanças criativas na vida à caminho de maiores níveis de complexidade é algo impossível.

              A quantidade de ruídos (interferências imponderáveis) que podem afetar o rumo de uma organização em mudança crítica e os acoplamentos estruturais possíveis, que devem ser realizados entre essa organização e seu meio quando esse meio é a complexidade do humano, só nos permitirão pensar em possibilidades de estar ou  de chegar à algum lugar como afirma a física quântica nos outros domínios da matéria subatômica.

              Portanto é ingênua qualquer forma de psicoterapia nos seres humanos ou de reingenharia nas empresas que pretenda levar seus tratados a posições certas.

              No que tem a ver com o tema da mudança e para onde nos dirigimos só poderemos falar em termos de mais ou menos.

              Existe a determinação, a causalidade estrutural dos históricos de relação de um ser humano ou instituição. Isto nos permite pensar nas identidades construídas ao longo da vida. Mas, se pensamos no tema das mudanças dirigidas à um objetivo, os imponderáveis o transformam em  impredizível em maior ou menor grau.

              O que fazer?  Se perguntou Lenin na época antiga dos começos do industrialismo.  Respondemos na contemporaneidade. Lembram da intuição? Aquela palavra vista com desconfiança.  Essas são coisas de mulheres e bruxas, a cultura positivista dizia.  Pois bem.  É a velha e imortal intuição humana que será necessário resgatar para que acompanhada de uma responsável racionalidade nos dê pistas de predição ante a necessidade de tomar decisões que afetem o rumo. 

                                                  

Cultura

 

              Para falar sobre este tema que está presente no nosso método de trabalho terapêutico dos três Cs (cura, criatividade e cultura) será necessário fazer alguns esclarecimentos.

              O primeiro e talvez fundamental é esclarecer que por cultura não estamos entendendo acúmulos de conhecimentos, informações nem erudições sobre nenhum saber específico.   Para isso inventamos os computadores com memórias adaptadas ao acúmulo com mais eficiência que as nossas.

              Quando falamos de cultura estamos falando, sim, de conhecimentos, de crenças e de valores que são guia para a ação dos mais diferentes intercâmbios entre os seres humanos de uma sociedade.  Estes estão presentes nos temas das conversações coletivas, por intermédio de jornais, televisão, filmes, etc.

              Neste momento contemporâneo, essas crenças, valores, percepções, conhecimentos que induzem à determinadas ações no econômico, no sexual, no político, estético, na moda, em que objetos serão produzidos e como, de que forma conviveremos com os outros seres humanos, que significam os homens, as mulheres, as crianças e os velhos estão passando por uma profunda transformação que chamamos mudança de paradigmas”.

              A cultura a ser desenvolvida em nossos grupos de formação para o  terceiro milênio terá como finalidade apontar este processo de mudança que entendemos que vai desde a visão da fragmentação à visão holística e ecológica do seres humanos e do vivo.

              Isto significa que entendemos os seres humanos inseridos num sistema do qual forma parte e é constituinte, que é a rede ou teia de todo o vivo.

              Em relação à divulgação política destes conceitos, idéias e valores com alegria recebemos o livro de F. Capra, último, publicado nos Estados Unidos no mesmo ano da colocação de nosso site na Internet.

              Nesta teia está presente as diferentes formas de expressão do natural como as plantas, os mares, o vento, o ar, os rios, os insetos, as aves, os peixes, os animais, os seres humanos e tudo o que por eles é produzido como artes, ciências, economias, políticas, modas, religiões e tecnologias variadas como a internet .  A consciência da Unidade de Todas as Coisas significará a percepção disto.

              E nossa formação cultural terá como finalidade alicerçar esse processo de mudanças de paradigmas.

              Quando falamos de formação cultural estamos nos referindo a uma experiência individual, grupal e coletiva que será intelectual, emocional e de comportamentos de nós como “conspiradores” contra nada nem contra ninguém e sim a favor da vida em todas as suas formas de expressão.

            Essa formação consistirá:

- Na leitura de textos pioneiros nestes conhecimentos, valores e crenças;

- Desenvolvimento da espiritualidade;

- Seminários de sensibilização ecológica;

- Desenvolvimento da criatividade e intuição;

- Conversações coordenadas;

- Filmes comentados;

- Contato com as tradições espirituais e artísticas.

O esperável é que estas atividades nos sensibilizem na percepção dos novos valores de integração, síntese, parceria, qualidade de vida, preservação, conexão, auto-sustentabilidade e conservação.  Isto nos possibilitará conviver na harmonia dos opostos com a competição, o racional, o reducionista, o linear, o finito, particular, a dominação, a expansão, o individual, valores que estão presentes no atual estado dos intercâmbios humanos.

               Será necessário destacar quatro aspectos fundamentais destes novos paradigmas:  o holístico, a ecologia profunda, o eco-feminismo e a espiritualidade intimamente vinculados.  Aos que me referirei sinteticamente.

Holismo:  O pensar holístico se refere a possibilidade de ver as relações entre os componentes e o todo.  Como por exemplo, ao tomar uma decisão de escolher um determinado espaço para moradia, ver o que significa isto nas condições de nossa vida cotidiana, em nosso dia a dia.  As distâncias em relação ao nosso traballo, ao colégio das crianças, aos lugares possíveis de realizar as compras para nossas necessidades cotidianas.  O bairro em relação à cidade a que pertence e sua densidade demográfica, possibilidade de deslocamentos, os lugares públicos a que habitualmente deveremos recorrer como correios, praças, hospitais, etc.

Ecologia Profunda:  Esta nos permite sair da divisão ser humano-meio ambiente e entender que todo o vivo forma parte da mesma rede. Que ecológico não significa só ambiente natural como florestas rios, ar, mar, insetos, aves, animais, vento e sim também seres humanos e tudo o que por eles é produzido como estradas, edifícios, arte, cultura, ciência, moda ou tecnologias.

              Pensar nos termos da ecologia profunda nos permite entender que os cuidados com a preservação não devem estar dirigidos só aos recursos chamados naturais mas também aos seres humanos.  Quando pensamos em poluição devemos acender a luz vermelha ante a deterioração de nossa camada de ozônio e a de nossa mente humana.

              Pensar em qualidade de vida com critérios de ecologia profunda é pensar como estamos vinculados em nossso dia a dia com o chamado meio ambiente natural e com os usos, costumes, valores, trabalho e espiritualidade dos seres humanos com os quais convivemos: vizinhos, família, colegas, amigos e companheiros inteletuais, políticos, religiosos, filosóficos, etc.

Espiritualidade:  A espiritualidade contemporânea se fundamenta em rede. Existem valores e princípios que unem as mais diferentes religiões e isso é o que me interessa . O especificamente religioso e suas dotrinas é uma forma particular de expressão dos diversos povos e grupos humanos, sua espiritualidade essencial.  Portanto, na visão contemporânea do religioso e espiritual se entenderá como possível que as crenças humanas (em relação à estes temas) poderão nutrir-se dos mas diferentes sistemas ou doutrinas, aderindo ao chamado sincretismo espiritual. 

              Neste olimpo pós-moderno encontraremos em convívio o candomblé, cristãos em suas mais diferentes formas, maometanos, judeus, budistas, etc., unindo nossos interesses na produção de um mundo humano divino mais harmonioso.

Eco-feminismo:  Agora bem, no sentido espiritual nossa devocao esta dirigida a uma fêmea e seu nome é Gaia, nossa mãe, o nosso planeta a Terra da qual formamos parte.  Portanto, o divino passará pelo interior dos seres humanos nos quais expressará sua potência e criatividade e isto no dia a dia. Em como comemos, dormimos, trabalhamos, em como e o que consumimos, em nossa vida sexual, produtiva, cultural, religiosa e na forma em que nos viculamos com os outros seres humanos.  Neste sentido espiritual ecofeminista o divino estará presente na totalidade das condições de nossa vida cotidiana na qual previlegiaremos as formas redondas, circulares, o que nutre,o que cuida, o que preserva, a intuição e criatividade e as formas não violentas de produção e política.

Edgardo Musso

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