
PSICOTERAPIA - PREVENÇÃO - FORMAÇÃO
A Vida e suas transformações
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Salvador Dalí Criança e Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo
(Grupo dos três Cs : Cura
– Criatividade - Cultura)
Metodologia destinada aos seres humanos que estejam dispostos
à investir em si mesmos para se possibilitar uma mais compreensiva
e satisfatória qualidade de vida.
Síntese do estado atual das coisas da vida:
Consideramos que no mundo contemporâneo existe um mal
estar que nos permite afirmar que tem coisas que vão mal,
outras bem e outras mais ou menos.
Mal:
a fragmentação.
Consideramos por efeito de nossa cultura que somos indivíduos.
Entendidos estes como seres isolados que antes de mais
nada devem preservar as condições
de sobrevivência da vida própria.
E que o mundo é algo do qual devemos nos proteger.
Os interesses particulares são entendidos como algo que
entra em contradição com os interesses dos outros.
Vistos estes como seres que procuram seus benefícios doa
a quem doer. Os objetivos na vida excluem a percepção dos efeitos
dos mesmos no sistema humano e ecológico natural nos quais estão
inseridos.
O incentivo ao consumo gera uma sociedade onde o desperdício
é considerado símbolo de poder, de abundância e confundido com
qualidade de vida satisfatória.
Vemos
os efeitos destas crenças que expressam fragmentação nos projetos
econômicos, tecnológicos, sexuais, científicos.
Emfim na totalidade das condições de nosso dia a dia.
Bem:
Conciência de que não dá mais.
Existem setores, grupos de seres humanos, países, conceitos
científicos, espiritualidade, projetos econômicos, culturas que
algumas se interpenetram como a atuais confluências entre pensamentos
orientais e ocidentais, que vão percebendo a unidade de todas as coisas.
Esta percepção
holística da existência de um todo que é a própria experiência
do viver, no qual está tudo relacionado e em constante conexão,
nos permite reforçar o valor da preservação.
Marilyn Fergunson chama os portadores desta nova e emergente
consciência ecológica de “conspiradores”.
O interessante desta
conspiração é que não é contra nada nem ninguém e
sim a favor da preservação
e desenvolvimento da vida em seus aspectos materiais e
espirituais que para nós são a mesma coisa.
Estas novas formas de pensar geram
acontecimentos concretos na vida dos seres humanos que
vão desde produzir projetos econômicos chamados auto-sustentáveis
(crescer sem destruir o meio ambiente atual e de gerações futuras,
do qual o humano forma parte) até programas de saúde para a
qualidade
de vida. Vida
das criaturas humanas em seu trabalho, em seus relacionamentos
afetivos, sociais, sexuais e em cuidar de dar uma maior compreensão
aos núcleos das novas famílias (recasados, com filhos por fertilidade
assistida ou adotados, casais e famílias de homossexuais, etc.).
Mais ou menos:
Pela dor inevitável ante a finitude do ser humano. Sabemos pela ciência contemporânea e nossas crenças espirituais
que não
existe a morte como fim e sim como transformação de uma forma
de expressão da vida a outra. Esta afirmação está presente
na
física quântica e num sem número de formas
religiosas que expressam de diferentes formas a perpetuação
da experiência do viver.
“A morte é uma ilusão”, diz Chris Griscom.
Exatamente. E
não pode deixar de ser.
É um produto da mente simbólica do homem.
No sentido espiritual mais profundo fora do aparentemente concreto,
somos eternos. Mas,
como criaturas humanas o tempo que rege é o linear, o do relógio
e calendário.
Neste sentido somos finitos, embora nossos propósitos de
mudança se perpetuem além de nossas vidas.
As categorias com as que avaliamos os aconteceres
da vida e suas respectivas mudanças, portanto, conlevam esta experiência
de finitude. Será
necessário o
desenvolvimento de nossa consciência espiritual e ecológica para
aliviar esse sentimento de dor inevitável de não ver com
nossos próprios olhos nosso planeta, a Terra,
mais evoluído.
Mais ou menos por tanto em relação à nossa satisfação e
alegria por nossos esforços e realizações neste mundo humano finito.
O que entendemos por cura:
Existem,
existiram e existirão diferentes, variadas, contraditórias, parciais
e excludentes propostas
de cura para os seres humanos. Também categorias
de diagnóstico e tipologias para classificar o perturbado, o doloroso,
o diferente
e o anormal.
Isto foi gerado numa atividade de intenso trabalho da ciência
e da religião que produziram diferentes práticas que na atualidade
vemos como médicas, psiquiátricas, psicológicas ou xamânicas.
Temos alguns critérios
que diferenciam estas propostas.
Algumas delas são geradas no critério de encontrar o
porquê, as
causas da doença, da estagnação ou da dor. Estas são
de grande importância para o conhecimento do funcionamento do
humano e seus destinos.
Seus resultados são mais que evidentes.
A medicina ocidental possibilitou que a idade média de
vida do povo americano (bem nutrido e acéptico) chegasse aos 76
anos.
Todas elas conlevam em cada uma de suas
propostas de cura e preservação da saúde uma forma de entender
o ser humano e o sentido do porquê e para quê viver.
Paradigmas
(como sistemas de crenças) falamos na contemporâneidade. E nós temos os nossos.
É importante o conhecimento da ciência e as crenças
religiosas que nos falam da causalidade transpessoal divina.
Importante é pouco, diremos fundamental. Por isso estudamos
e ensinamos os conceitos da ciência psicanalítica e seus pensadores
clássicos como Sigmund Freud, Carl Yung, Jacques Lacan e Sandor
Ferenczi e os cognotivistas post-racionalistas da escola chilena
de Humberto Maturana e Francisco Varela e o italiano Vittório
F. Guidano.
Mas privilegiamos
uma frase do Dr.
Edward Bach criador dos remédios
vibracionais-subjetivos recebidos das flores e que levam
seu nome: “Não
atacaremos a enfermidade e sim desenvolveremos as virtudes que
farão com que esta se dissolva como a neve ante o sol”.
Tomaremos, então, em conta a causalidade,
o porquê da doença, mas prestaremos especial atenção
ao desenvolvimento
da potência e das virtudes emocionais físicas, espirituais e intelectuais
dos seres humanos.
Este critério de desenvolvimento das potencialidades nos
levam a incluir em nosso método de trabalho em psicoterapia os
remédios florais do Dr. Edward Bach e de alguns de seus seguidores.
Os métodos de sensibilização ecológica, de desenvolvimento
da criatividade e espiritualidade de Edgardo Musso e o desenvolvimento
da Inteligência Emocional de Daniel Goleman.
Entenderemos como proposta de cura e objetivo terapêutico
fundamental aumentar a satisfação de estarem vivos dos seres humanos.
Respeitando a lei científica, espiritual e ética básica da Unidade
de Todas as Coisas
que como falei em algum outro lugar amplia
o dito cristão de “amarás
ao outro como a ti mesmo” pelo entendimento de que amarás ao outro
que é você mesmo.
Neste sentido nos
afastaremos da noção de pecado e ficaremos mais perto das idéias
ecológicas femininas em relação a preservação da criatividade,
a intuição, a não violência e ao cuidado e perpetuação da vida.
Quando falamos de satisfação estamos nos referindo a experiência
do amar no sentido amplo.
Isto significa a intimidade
transcendente consigo mesmo e com os projetos e missões
de nossa vida como também o reconhecimento das diferenças com
os outros nas relações e acoplamentos sem esforço no convívio.
Este amor é um acontecer relacional natural biológico,
no sentido de Humberto Maturana, que passa a ser uma condição
do viver.
Nos adoecemos ou morremos ante a falta da
presença em nossas vidas dessa experiência amorosa que é condição
fundante de nossa espécie.
A
Criatividade
A criatividade e o vivo:
concordamos com Bárbara Brenan que
o
potencial criativo encontra suas bases na força do espiritual.
Desde nossa perspectiva da espiritualidade este acordo
significará entender que criatividade está nas raízes profundas de todo o vivo.
Não existe vida em nenhuma de suas manifestações naturais,
sejam bactérias, vegetais, animais ou seres humanos, que não conte
com a criatividade para poder continuar nas
condições
da vida que sempre se apresenta num movimento de mudança.
A criatividade, então, é uma manifestação geral do viver
e possibilita o estar
vivo.
Não existe vida
sem criatividade.
Se expressa na totalidade das condições da vida cotidiana
dos seres humanos em como comemos, na sexualidade, trabalhamos,
dormimos, na utilização do tempo livre e em como adequamos nossas
economias com nossas vontades de consumo.
Esta foi considerada, durante
muito tempo, como uma qualidade especial da produção de artistas
e cientistas, atividades que se safavam das necessidades da sociedade
industrial de controlar e prever os acontecimentos gerados pelos
comportamentos humanos.
A sociedade
industrial com sua preocupação fundamental de gerar
um capital considerado como instrumento de produção e acesso ao
poder político, necessário para garantir a não interferência em
seus propósitos e metas,
enxergou a criatividade como um perigo
a ser evitado.
O modelo de homem era o modelo da máquina, podíamos confiar
nelas pois não
produziriam desvios no esperável. Tudo o que gerasse
possibilidade de desvio teria que ser evitado.
Com isto afastou-se a
percepção do criativo até tal ponto que neste momento
quando trabalho com organizações a preocupação fundamental é que
o trabalho de estimulação da criatividade produza resultados concretos
na atividade produtiva das empresas.
Isto é impossível de deixar de ser.
Passando a ser um
problema de percepção de onde se manifesta e não
um problema de eficácia técnica específica.
Os métodos de estimulação da criatividade e o tema da percepção:
em relação ao tema dos critérios de avaliação das diferentes
metodologias ou técnicas de estimulação e desenvolvimento da criatividade
consideraremos que se deve compreender que
os seres humanos não formam um todo homogêneo.
Considerar-nos como espécie
humana é uma estrutura classificatória, um esquema para
diferenciar o vivo, mas é fundamental perceber a diversidade
dos seres.
Os métodos não trabalham sobre a classificação e sim sobre
os seres. As diferentes
metodologias trabalham algumas previlegiando o lúdico, outras
interessadas pela velocidade das decisões intelectuais, outras
as atividades de expressão artística, outras desde uma perspectiva
ecológica, outras previlegiando o trabalho em equipe ou o indivíduo
e assim por diante. O
correto seria não entender os seres humanos como simplesmente
classe ou espécie independentemente de suas caraterísticas particulares
individuais e preferências.
As metodologias e técnicas poderão ser diversas, mas
unidas nos critérios
do entendimento do que significa a produção individual e coletiva,
dos valores presentes nesta produção, do que são os seres humanos,
do que são as organizações e quais são suas missões. Dentro disso
onde está a criatividade do humano, para quê serve e porquê desenvolvê-la.
Com o acesso à pós-modernidade e aos paradigmas emergentes
de necessidade de intuir e de criar para poder participar de um
mundo e mercado que gira em torno do convívio com as diferenças,
veloz, super informado e globalizado criaram-se um
sem número de estratégias e técnicas ditas estimuladoras
do potencial de intuir e criar dos seres humanos.
Com certa perplexidade e algumas vezes preocupação
vi incluir em workshops, nos quais se trabalha com técnicas de alto impacto emocional, pessoas que
trabalham em organizações.
Seres humanos se abraçando, chorando, rindo, se sexualizando
ou agressivas, batendo em almofadas e colchões,
entendendo que dessa forma, tomando contato com suas emoções
mais profundas e libertando a energia presa dos nós bloqueadores,
estariam mais perto de sua potência criativa. Nada disso.
Estes estados emocionais profundos despertados pela aplicação de recursos
técnicos que chamo de alto impacto não tem espaço para serem mantidos
no dia a dia do trabalho das organizações nem sequer no convívio
habitual social com os outros seres humanos.
Que a sociedade industrial tentou abafar a criatividade pelo
medo ao não
previsível, ao erro
e a desestruturação
das hierarquias de poder e que também as emoções
e energia dos seres humanos trilharam um caminho semelhante
(porque o ideal de funcionamento da sociedade industrial foi a
máquina que sempre faz o mesmo sem sofrer nem gozar),
não
quer dizer que aprofundando nas emoções e energia aprisionada
se liberará o potencial criativo.
Nada tem a ver a carne com o tecido com o qual a cubrimos
embora ante a percepção dos outros na sociedade civilizada possamos
pensar que formam parte da mesma coisa.
Me lembro de Henrique
Pichón Rivière me dizendo (como mestre – terapeuta e amigo):
“Edgardo, quando queiras colaborar em curar alguma coisa, lembra-te
da teoria do furúnculo.
Ao ver um, não o esprema à seco, primeiro amoleça-o
com compressas mornas (intervenções aparentemente superficiais,
que serão as mais profundas) e depois, já amolecido, é só correr
a pele para trás que o pus sairá com pouco sangue e dor” ( se
referindo às intervenções altamente mobilizadoras que, em seu
afã de quebrar, reforçam a atividade dos mecanismos de repressão).
Costumo dizer que quando queremos tomar contato com o
criativo devemos utilizar certos modelos do funcionamento
da natureza. Se
queremos comer banana não adianta saculejar a bananeira. Devemos
provê-la de nutrientes, cuidar de seu desenvolvimento.
Esperar quando esteja amarela, com pintas pretas e o conseguimos
perceber (o que é fundamental), simplesmente descascá-la e colocá-la
na boca. Com isto
quero dizer que
o fundamental trabalho a ser feito com
a criatividade é o de preservá-la, desenvolvê-la desarticulando
os empecilhos (ervas daninhas) e conseguir percebê-la nos acontecimentos
da vida como no trabalho e tudo o mais.
Por mais medo que as culturas anteriores tenham tido da
criatividade e intuição e de incluí-las na tomada de decisões
de forma consciente e por mais estratégias que tenham articulado
para detê-las estão presentes em tudo e uma prova disso é a constatação
de que estamos vivos.
Um dos
nossos principais
propósitos ao redor do tema da criatividade com indivíduos, grupos
ou organizações é possibilitar percebê-la presente no dia a dia.
Isto dará condições para poder preservá-la e estimulá-la
em nós mesmos e nos trabalhadores de qualquer escalão hierárquico
das organizações de nossa sociedade.
Isto sim é possível e acreditamos que é altamente benefícios
para o funcionamento do humano em seu conjunto.
Mas tudo isto com
calma, por favor, porque de outra forma não será possível.
O estresse gerado nas demandas de uma cultura que privilegia
a velocidade a qualquer custo é um dos empecilhos mais importantes
para o encontro com o ato criativo.
“A pressa é inimiga da perfeição”, diz um ditado popular
esclarecedor para este momento de mudança de paradigmas nas organizações.
Posso dizer, com uma experiência de mas de 20 anos trabalhando
com este tema e tomando em conta a relação custo-benefício,
lei básica de qualquer decisão numa economia de mercado, que
os
erros, os desvios de propósito, as horas perdidas por doenças,
acidentes e desinteresse no trabalho produzem um custo infinitamente
maior do que grupos humanos trabalhando com
responsabilidade individual em função de interesses coletivos,
com tempo humano para a realização das tarefas e incentivados
nas suas necessidades e desejos de imaginar, intuir e criar.
Sistemas
afastados do equilíbrio:
as estruturas dissipativas e a criatividade.
Agora bem, na realidade, vivemos num mundo humano em constante
mudança. E isto quer
dizer que não existe dia igual ao outro.
Se aguçamos nossa percepção será possível ver que por mais
constantes que
pareçam ser os aconteceres do dia a dia, as nuanças externas
e internas dos sistemas vivos sempre apresentam variações que
levam o sistema a manter um maior ou menor desequilíbrio.
Os sistemas vivos estão afastados da estabilidade absoluta sejam estes
seres humanos ou qualquer outro.
Na vida dos seres humanos a criatividade está presente
nessa necessidade constante de produzir comportamentos adequados
entre nós e nossas variações.
Quando essas
variações próprias de nossa condição de instabilidade nos apresentam
situações de crises de percurso, o desequilíbrio atinge pontos
críticos (chamados assim por Prigogine).
Nestes pontos críticos de bifurcação do caminho para onde
vamos aparece o acionar das estruturas
dissipativas.
Estas
atuam auto-organizando o sistema possibilitando evitar a decomposição
e o caos e criativamente
nos permitem continuar na vida com novas formas de complexidade
crescente. Como
é o caso de uma mediana
empresa que ante uma
maior demanda do mercado
à seus produtos, decide se encontrar com maiores recursos
de capital, transformando-se em sociedade anônima e colocando
títulos no mercado financeiro sem perder sua historia, identidade
e objetivos.
No humano encontramos a potência do criativo atuando para
preservar
as identidades dos sistemas.
E também para gerar
mudanças ante uma necessidade de encontrar novas formas
de complexidade adaptativa devido às interferências de seu meio
interno ou externo.
Estamos falando de crises, de mudanças e criatividade dos
sistemas vivos sejam eles pessoas, grupos familiares, casais ou
empresas.
Concordo, por considerá-los úteis, com certos conceitos
gerados na linha de trabalho inspirada por Maturana
e Varela (teoria da autopoiese).
Com Guidano, pela inclusão do conceito de vínculo e afeto na
análise do comportamento do vivo e com o especialista na imprevisibilidade,
Ilya Prigogine.
O vivo, em qualquer de suas formas de se organizar, são
sistemas, insisto, afastados do equilíbrio.
A tentativa de certezas
tranquilizadoras ante mudanças criativas na vida à caminho
de maiores níveis de complexidade é algo impossível.
A quantidade de ruídos
(interferências imponderáveis) que podem afetar o rumo de
uma organização em mudança crítica e os acoplamentos estruturais
possíveis, que devem ser realizados entre essa organização e seu
meio quando esse meio é a complexidade do humano, só nos permitirão
pensar em possibilidades de estar ou
de chegar à algum lugar como afirma a física quântica nos
outros domínios da matéria subatômica.
Portanto é ingênua qualquer forma de psicoterapia nos seres
humanos ou de reingenharia nas empresas que pretenda levar seus
tratados a posições certas.
No que tem a ver com o tema da mudança e para onde nos
dirigimos só poderemos falar em termos de mais ou menos.
Existe a determinação, a causalidade estrutural dos históricos
de relação de um ser humano ou instituição. Isto nos permite pensar
nas identidades construídas ao longo da vida. Mas, se pensamos
no tema das mudanças dirigidas à um objetivo, os imponderáveis
o transformam em impredizível
em maior ou menor grau.
O que fazer?
Se perguntou Lenin na época antiga dos começos do industrialismo.
Respondemos na contemporaneidade. Lembram da intuição?
Aquela palavra vista com desconfiança.
Essas são coisas de mulheres e bruxas, a cultura positivista
dizia. Pois bem.
É
a velha e imortal intuição humana que será necessário resgatar
para que acompanhada de uma responsável racionalidade nos dê pistas
de predição ante a necessidade de
tomar decisões que afetem o rumo.
Cultura
Para falar sobre este tema que está presente no nosso método
de trabalho terapêutico dos três Cs (cura, criatividade e cultura)
será necessário fazer alguns esclarecimentos.
O primeiro e talvez fundamental é esclarecer que por
cultura não estamos entendendo acúmulos de conhecimentos, informações
nem erudições sobre nenhum saber específico.
Para isso inventamos os computadores com memórias adaptadas
ao acúmulo com mais eficiência que as nossas.
Quando falamos de cultura estamos falando,
sim, de conhecimentos, de crenças e de valores que são guia para
a ação dos mais diferentes intercâmbios entre os seres humanos
de uma sociedade. Estes
estão presentes nos temas
das conversações coletivas, por intermédio de jornais, televisão,
filmes, etc.
Neste momento contemporâneo, essas crenças, valores, percepções,
conhecimentos que induzem à determinadas ações no econômico, no
sexual, no político, estético, na moda, em que objetos serão produzidos
e como, de que forma conviveremos com os outros seres humanos,
que significam os homens, as mulheres, as crianças e os velhos
estão passando por uma profunda transformação que chamamos “mudança
de paradigmas”.
A cultura a ser desenvolvida em nossos grupos de formação
para o terceiro milênio
terá como finalidade apontar este processo de mudança que entendemos
que vai desde a visão da fragmentação à visão holística e ecológica
do seres humanos e do vivo.
Isto significa que entendemos os seres humanos inseridos
num sistema do qual forma parte e é constituinte, que é a rede
ou teia de todo o vivo.
Em
relação à divulgação política destes conceitos, idéias e valores
com alegria recebemos o livro de F. Capra, último, publicado nos
Estados Unidos no mesmo ano da colocação de nosso site na Internet.
Nesta teia está presente as diferentes formas de expressão
do natural como as plantas, os mares, o vento, o ar, os rios,
os insetos, as aves, os peixes, os animais, os seres humanos e
tudo o que por eles é produzido como artes, ciências, economias,
políticas, modas, religiões e tecnologias variadas como a internet
. A consciência da
Unidade de Todas as Coisas significará a percepção disto.
E nossa formação cultural terá como finalidade alicerçar
esse processo de mudanças de paradigmas.
Quando falamos de formação
cultural estamos nos referindo a uma experiência
individual, grupal e coletiva que será intelectual, emocional
e de comportamentos de nós como “conspiradores” contra nada nem
contra ninguém e sim a favor da vida em todas as suas formas de
expressão.
Essa formação consistirá:
- Na leitura de
textos pioneiros nestes conhecimentos, valores e crenças;
-
Desenvolvimento da espiritualidade;
- Seminários de sensibilização ecológica;
-
Desenvolvimento da criatividade e intuição;
-
Conversações coordenadas;
- Filmes comentados;
-
Contato com as tradições espirituais e artísticas.
O esperável é que estas atividades nos sensibilizem na percepção
dos novos valores de integração,
síntese, parceria, qualidade de vida, preservação, conexão, auto-sustentabilidade
e conservação. Isto
nos possibilitará conviver na harmonia
dos opostos com a competição,
o racional, o reducionista, o linear, o finito, particular, a
dominação, a expansão, o individual, valores que estão
presentes no atual estado dos intercâmbios humanos.
Será necessário destacar quatro aspectos fundamentais destes
novos paradigmas: o
holístico, a ecologia profunda, o eco-feminismo e a espiritualidade
intimamente vinculados.
Aos que me referirei sinteticamente.
Holismo:
O
pensar holístico se refere a possibilidade de ver as relações
entre os componentes e o todo.
Como por exemplo, ao tomar uma decisão de escolher um determinado
espaço para moradia, ver o que significa isto nas condições de
nossa vida cotidiana, em nosso dia a dia.
As distâncias em relação ao nosso traballo, ao colégio
das crianças, aos lugares possíveis de realizar as compras para
nossas necessidades cotidianas.
O bairro em relação à cidade a que pertence e sua densidade
demográfica, possibilidade de deslocamentos, os lugares públicos
a que habitualmente deveremos recorrer como correios, praças,
hospitais, etc.
Ecologia
Profunda:
Esta nos permite sair
da divisão ser humano-meio ambiente e entender que todo o vivo
forma parte da mesma rede. Que ecológico não significa
só ambiente natural como florestas rios, ar, mar, insetos, aves,
animais, vento e sim também seres humanos e tudo o que por eles
é produzido como estradas, edifícios, arte, cultura, ciência,
moda ou tecnologias.
Pensar nos termos da ecologia profunda nos permite entender
que os cuidados com a preservação não devem estar dirigidos só
aos recursos chamados naturais mas também aos seres humanos. Quando
pensamos em poluição devemos acender a luz vermelha ante a deterioração
de nossa camada de ozônio e a de nossa mente humana.
Pensar em qualidade de vida com critérios de ecologia profunda
é pensar como estamos vinculados em nossso dia a dia com o chamado
meio ambiente natural e com os usos, costumes, valores, trabalho
e espiritualidade dos seres humanos com os quais convivemos: vizinhos,
família, colegas, amigos e companheiros inteletuais, políticos,
religiosos, filosóficos, etc.
Espiritualidade:
A espiritualidade contemporânea se fundamenta em rede.
Existem valores e princípios que unem as mais diferentes
religiões e isso é o que me interessa . O especificamente
religioso e suas dotrinas é uma forma particular de expressão
dos diversos povos e grupos humanos, sua espiritualidade essencial.
Portanto, na
visão contemporânea do religioso e espiritual se entenderá como
possível que as crenças humanas (em relação à estes temas) poderão
nutrir-se dos mas diferentes sistemas ou doutrinas,
aderindo ao chamado
sincretismo espiritual.
Neste olimpo pós-moderno encontraremos em convívio o candomblé,
cristãos em suas mais diferentes formas, maometanos, judeus, budistas,
etc., unindo nossos interesses na produção de um mundo humano
divino mais harmonioso.
Eco-feminismo:
Agora bem, no sentido espiritual nossa devocao esta dirigida a
uma fêmea e seu nome é Gaia,
nossa mãe, o nosso planeta a Terra da qual formamos parte.
Portanto, o
divino passará pelo interior dos seres humanos nos quais expressará
sua potência e criatividade e isto no dia a dia. Em
como comemos, dormimos, trabalhamos, em como e o que consumimos,
em nossa vida sexual, produtiva, cultural, religiosa e na forma
em que nos viculamos com os outros seres humanos.
Neste
sentido espiritual ecofeminista o divino estará presente na totalidade
das condições de nossa vida cotidiana na qual previlegiaremos
as formas redondas, circulares, o que nutre,o que cuida, o que
preserva, a intuição e criatividade e as formas não violentas
de produção e política. Edgardo Musso Centro de Desenvolvimento
da Intuição e Criatividade Entre em contato com a gente pelo e-mail cdic@cdic.com.br
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